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Diversidade Cult

Vitor Pirralho costura temas improváveis na fase mais eletrônica de sua carreira

Novo EP “Algo Ritmo Loga Ritmo” nasce colaborativo, independente e baseado em fatos reais

Arquivo pessoal

Por Andréa Alves – O que pode ter em comum casos de racismo, intolerância religiosa, excesso de exposição nas redes sociais e viagens no tempo? Parece impossível, mas o rapper, professor e poeta alagoano Vitor Pirralho colocou todos esses assuntos para conversarem em seu novo trabalho; “Algo Ritmo Loga Ritmo”. O EP, já disponível em todas as plataformas digitais, traz cinco músicas inéditas, inspiradas diretamente nos acontecimentos que marcaram o fatídico ano de 2020.

Vitor Pirralho EP 2021

A covarde morte de Jorge Floyd, os ataques aos centros de Umbanda e Candomblé, a crescente influência nociva das redes sociais na vida das pessoas, as questões complexas sobre o tempo levantadas pela série alemã Dark. Temas distintos à primeira vista, que acabam convergindo perfeitamente dentro das coerentes rimas de Vitor Pirralho, que tem nas constantes referências históricas e literárias os aliados perfeitos para todos os assuntos.

Panan Filmes / Gabriel Bessa

Tribalogikaos” abre o EP trazendo uma conexão inusitada entre rituais tribais, tecnologia e caos. “Fala do ponto de vista de quem é vítima dos preconceitos religiosos e é tomado por um sentimento de vingança, elaborando uma maldição digital.”, resume Vitor. Na base, Carlos PXT fez um resgate e trouxe elementos rítmicos da Crunk Music de Lil Jon, que fez história no Hip Hop dos anos 1990, e misturou com um groove diretamente influenciado pelo Mangue Beat de Recife.

De Cor” vai direto ao ponto e faz referências bem pontuais aos casos de George Floyd, os protestos que derrubaram estátuas de colonizadores e o Quebra de Xangô, que marcou a perseguição aos adeptos de religiões de matriz africana e a destruição de terreiros em Maceió há mais de 100 anos. Funk Soul e Jazz, sampleados sob influência da primeira geração do Rap Nacional, e alguns instrumentos gravados de forma orgânica compõem a base dessa música.

A exposição voluntária de dados, a tecnologia que facilita a coleta de informações sobre qualquer pessoa e os efeitos dessas novas práticas é o assunto em “Espionagem”. Na melodia influências do Breakbeat, de grupos como Beastie Boys. “Espionagem é trilha musical para filmes policiais futuristas na pegada oitentista”, entrega Carlos PXT. Um deleite sonoro para quem já passou dos 30.

Paradoxo Antológico” é diretamente inspirada na série Dark abordando o paradoxo criado caso um viajante do tempo fosse ao passado e levasse um objeto que ainda não fora criado. E, para abordar esse tema tão inusitado, nada como uma trilha dançante batizada de Trip Hop Sci-Fi com Synthpop.

Toda essa viagem sonora termina com um embate psicológico entre criador e criatura. “Diss to Pi” é uma disrespect song de Vitor Pirralho dirigida a ele mesmo, cantada em inglês e português.  A batida remete ao Eletro Funk do Afrika Bambaataa e o som eletrônico sintético do Kraftwerk, na mistura sobressaem os graves e uma sonoridade mais suja típica do Rap Rock.

Com o mercado ainda em fase de adaptação aos tempos pandêmicos, a produção remota e colaborativa foi o caminho encontrado por Pirralho para viabilizar o EP. “É uma ressignificação dos meios de produção. As tecnologias são mais avançadas e mais acessíveis, estou aproveitando isso. Carlos PXT, sempre me apresenta as bases que produz, eu apresento ideias sobre letras e melodias e as canções vão surgindo. Para este trabalho, conectamos mais dois parceiros, Mauricio Negão, o mago das guitarras, e Cristhian Almeida, um cientista da engenharia musical”, conta.

As novas parcerias trazem influências diretas na sonoridade do trabalho de Vitor Pirralho. Muito mais eletrônico, o novo EP surpreende quem já estava acostumado com as bases orgânicas dos discos anteriores.

Panan Filmes / Gabriel Bessa

Álbum visual a caminho

Todo esse passeio sonoro vai ganhar vida. Está programado para o final de abril a versão cinematográfica de “Algo Ritmo Loga Ritmo”. O álbum visual, produzido em parceria com a produtora alagoan Panan Filmes e viabilizado pela Lei Aldir Blanc, foi gravado no final de fevereiro em surpreendentes paisagens alagoanas. É esperar para conferir.

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