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Top 7 Álbuns – E suas histórias

Por Cleber Jr – Rolam na internet algumas brincadeiras interessantes e a do momento é a Top 7 Álbuns preferidos. Meu amigo Luck Veloso, fez a dele e me convocou para participar,  pensei em alguns e me surpreendi, como isso teve importância na minha vida.

Fosse mesmo levar na ponta do lápis faria uma lista maior, porém, esses foram tão impactantes que tomaram a frente de todos os outros nas minhas lembranças

Como consequência vou logo entregando a idade, porque, lá pelos anos 70 eu fazia listinhas de músicas que ouvia nas rádios de sucesso e levava nas lojas para comprar compactos simples, hoje conhecidos como singles. Essas listinhas já mostravam um desejo de fugir do mainstrean e das dominantes trilhas de novela, era raro encontrar o que eu queria. No rádio Big Boy já começava a me tirar da zona de conforto até que  um amigo bateu à minha porta com o Machine Head do Deep Purple, dizendo, “ouve isso, bem alto!”.

Os primeiros acordes de Highway Star, já aceleravam mais rápido do que eu pudesse entender o que estava acontecendo. Ao entrar naquela estrada já começaram a mudar o meu gosto musical, definitivamente. Ainda viria pela frente, o que se tornaria um super clássico, que todos conhecem Smoke on The Water. Ouça o álbum com o máximo de volume e do início ao fim, não há nada fora de contexto.

Definido meu gosto musical, fui atrás de consumir rock e descobri como era difícil achar álbuns, naquela época os lançamentos saíam por aqui com anos de atraso. Nunca comprei o vinil do Machine Head, só comprei uma edição comemorativa em cd, muitos anos depois.

Nessa busca desenfreada, cruzei o caminho do rock progressivo com o álbum Hamburguer Concerto do Focus. Comprei, mas, não era o momento certo. Só fui compreendi o que ouvi lá anos depois. Eu queria mesmo era peso e movimentos acelerados que encontrei ao entrar numa loja e ouvir no som ambiente o que nem o balconista sabia o que era, perguntei e ele me mostrou uma capa sem nenhuma informação e eu disse, vou levar. Estava descobrindo o Led Zeppelin IV, o disco dos símbolos, do velhinho com gravetos, mas, essa história eu já contei aqui

Vagava por lojas de discos pelo Centro do Rio, sim, havia muitas naqueles tempos tão distantes. Como era prazeroso, relaxante, fonte de pesquisa e conhecimento musical, passar disco a disco naquelas prateleiras de lançamentos ou de usados. Foi numa dessas que descobri o Queen.

Naquelas lojas que éramos conhecidos e algumas outras, permitiam ouvir os álbuns. Fones nos ouvidos uma passadinha por cada faixa era o suficiente, eu já havia comprado o Queen II, e conhecia os arranjos vocais e elaborados da banda, mas, em A Night At The Opera eles foram além de tudo. Bohemian Rhapsody  é épica! Ela me deu a oportunidade de ir buscar mais informações na música clássica, finalmente compreender o rock progressivo e ter a certeza de que o hard rock era amor em vez de paixão, tudo numa só canção.

Quando precisa, a música vem até você, ela te descobre. É uma oportunidade incrível, mesmo quando parece não estar interessado. Ela te quer e você não vai escapar fácil.

Foi assim com After Gold Rush do Neil Young, um álbum que nunca tive, mas que foi de grande importância na minha vida. Ele ficou gravado numa fita cassete e veio através de um anúncio que coloquei no jornal para trocar discos.

Um poeta foi a minha casa, ele curtia Neil Young, levou discos para trocar e o After. Explicou quem era Neil Young, o que ele dizia, o que ele tocava e me repreendendo, disse que eu deveria ter discos dele.

Não quis trocar, nem vender seu álbum, mas, me emprestou para gravar. Trocamos ideias por um tempo e numa época sem celular, perdemos contato logo depois, mas, Neil Young, ficou. Seu show no Rock in Rio foi uma cartase musical para mim.

Na primeira vez que ouvi falar do Pink Floyd, era adolescente, no colégio em uma resenha com amigos roqueiros. Não dei a devida importância.

Como já disse a música, vai até você, quando ela quer. Eu chegava numa festa, quando despertei com aqueles relógios e a batida de coração acelerou em Time, do álbum famosão da banda, o The Dark Side of The Moon. Impactante demais para um garoto que como eu mal sabia do roquenroll.

Então por que ele não está na lista?

Porque The Wall era o muro que eu construía para mim. Nunca um álbum me representou tanto, eu me via lá, em muitos conflitos existenciais que vivia, não podia ficar de fora dessa lista.

Olhando a capa de London Calling sabe-se que ali há algo tão poderoso que não deve ficar longe de você. Há, atitude, raiva, transgressão, violência numa foto emblemática, que é uma das minhas preferidas do rock e daquelas que eu gostaria de ter feito. Desenhei, copei, tentei tirar aquela imagem de lá até com uma escultura, nada deu certo, só a música emblemática do The Clash.

Um avanço punk, que ia dos acordes simples para misturas do ska, raggae e jazz, contando o cotidiano, das nossas mazelas que parecem romper continentes e são infindáveis, se multiplicam, se transformam e mantém o álbum atual.

“The money feels good and your life you like it well
But surely your time will come as in heaven, as in hell” – The Guns of Brixton

O tédio no ar, era um problema meu, já não havia uma música que me me desafiava. Eram os velhos álbuns e as lembranças que me acompanhavam. Os vinis, estavam lá empilhados na minha coleção, os cds também. Não havia uma rádio fora da curva. A gente estava ganhando a Copa pela última vez, mais velocidade na rede e baixando as músicas, o século tinha virado, o mundo mudava, mas, tudo parecia igual até eu ouvir o Chop Suey! do álbum Toxicity do System of Down.

Aquela música parecia desarrumar tudo de forma organizada, uma hora a pancadaria comia solta e abruptamente, parava para refletir e desembestava em seguida, Deus, família, suicídio e anjos era a receita dessa sopa descontrolada.

Fui mais fundo e encontrei Aerials, “antenas no céu, quando você abre sua mente pequena, liberta sua vida” serve para o Brasil de hoje.

“Disorder, disorder, disorder” parece o mundo em 2020

 

One thought on “Top 7 Álbuns – E suas histórias

  1. Que viagem legal, man! A música tem esse poder. De libertar mentes, acionar as pequenas antenas do iniciamento para sentir o mundo e seus momentos! Muito bom!

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