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Tom Leão Na Cova do Leão

Um dos mais respeitados jornalistas do Brasil, Tom Leão está na Radiocultfm.com. Sua coluna semanal, NA COVA DO LEÃO, é um olhar felino sobre trilhas sonoras e sons que habitam a alma criativa de Tom. Venha sempre!

NA COVA DO LEÃO

radiocultfm.com

VANGELIS

AS DIVERSAS ENCARNAÇÕES DA TRILHA DE BLADE RUNNER

2019: O futuro que já passou, nas diversas encarnações da trilha de “Blade Runner”

 

   No ano retrasado, o que parecia distante, aconteceu: aquele letreiro que abria o clássico sci-fi noir cult “Blade Runner, o Caçador de Andróides”, que anunciava ‘Los Angeles, 2019’, finalmente, chegou. E, passou. Contudo, ainda não temos carros voadores, androides servis, e nem Los Angeles virou uma cidade cinza e chuvosa. Mas, é verdade que, de modo geral, o planeta caminha a passos largos para se tornar um lugar inviável de se viver e com vários problemas. Como a pandemia atual mostrou. Pode ser que, num futuro distante, precisemos migrar para colônias fora da Terra.

   Mas, para além da distopia mostrada no filme (baseado em livro de Philip K. Dick, “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, publicado em 1968, e cuja ação se passava em 2021), o que ficou de “Blade Runner”, além de seu visual incrível, de seus personagens inesquecíveis (os andróides eram mais fascinantes do que os humanos), foi a trilha-sonora. Que, tem uma história meio complicada por trás.

   No filme, somos, o tempo, todo, conduzidos através das cenas por uma trilha sintetizada e bastante marcante, criada pelo compositor grego Vangelis, nome muito conhecido pelos amantes do rock progressivo, que já havia feito sucesso a bordo da banda Aprhodite´s Child, nos anos 1960; criado álbuns referenciais nos anos 1970, e até mesmo, feito as bases para uma trajetória de êxitos na carreira solo de Jon Anderson, vocalista do Yes. Como “I Hear You Now” (que fez muito sucesso nas FMs brasileiras na época), do álbum “Short Stories”, lançado em 1980 – como Jon & Vangelis -, com o qual lançaram quatro álbuns juntos.

   Então, em 1981, veio o grande sucesso no mainstream para Vangelis, quando ele ganhou o Oscar de melhor trilha para o filme inglês “Carruagens de Fogo” (que também levou o Oscar de melhor filme do ano). Desde então, o seu tema da vitória, é usado em eventos esportivos, e virou um clichê inevitável.

 Logo, ele se tornou um trilheiro requisitado. Daí, voltamos a “Blade Runner” (1982), um dos filmes mais importantes da história do cinema. Apesar de Vangelis ter criado o score original para o filme – todo à base de sintetizadores -, quando a trilha sonora oficial foi lançada, muita coisa que ele criou foi omitida do disco. A gravadora preferiu seguir um caminho mais comercial e destacar canções com vocais e de bases jazzísticas e deixar a trilha a cargo da The New American Orchestra. Foi esta trilha que chegou aqui e a maioria de nós conhece.

    Levou muitos anos para que a trilha original de Vangelis fosse, finalmente, lançada, em 1994. E, só em 2007, por ocasião dos 25 anos do filme, é que uma trilha mais completa, com tudo o que ele criou, saiu. Neste meio tempo, dezenas de edições bootlegs (piratas), com as tracks de Vangelis, circularam de forma não-oficial. A diferença? Mais temas instrumentais sintetizados e um clima arabesco.

 Ou seja: não existe uma trilha única para “Blade Runner”. Os fãs precisam ter diversas edições para ter tudo o que o grego criou. E, assim como o filme, ela nunca expira.

Tom Leão

 

Vangelis

Vangelis é um músico grego dos estilos neoclássico, progressivo, música eletrônica e ambiente. Suas composições mais conhecidas são o tema vencedor do Oscar de 1981, com o filme Chariots of Fire e a trilha sonora para o clássico Blade Runner; Nascido em 29 de março de 1943 na Grécia, começou a compor desde os quatro anos de idade, tornando-se um grande autodidata da música.

Suplemento especial Radiocultfm – por Luck Veloso
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