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Sisters of Mercy presenteia fãs com apresentação irretocável

sisters of mercy
Foto: Luck Veloso

Por Renan Esteves (fotos: Luck Veloso) – Poderia ser 1985, mas estamos em pleno 2019 e os ingleses do Sisters of Mercy, um dos pilares do Gothic Rock seguem firme, mesmo sem os tempos gloriosos de antes e sem um disco inédito – o último há quase 29 anos, que serão completados neste próximo dia 13 de novembro. Após um pequeno atraso de 26 minutos, Andrew Eldritch subiu ao palco do Vivo Rio acompanhado dos guitarristas Ben Christo e Dylan Smith e pela bateria eletrônica de Ravey Davey, também conhecida pela alcunha de Doktor Avalanche.

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Foto: Luck Veloso

A voz grave de Eldritch mostra suas cartas com “More”, do disco “Vision Thing (1990)”, com a galera tirando aquela aflição do peito após os primeiros acordes. No entanto, percebe-se que as canções são reduzidas, não dando ao ouvinte o gosto de se ver a banda performando na versão original, produzindo aquela sensação de estar imerso naquele cenário gélido, escuro e sombrio que suas músicas impõem. Há também o jogo de luzes, nas cores verde, azul, laranja e roxo, que se destacam à medida que cada canção é tocada. É a partir de sucessos como “Dominion/Mother Russia”, “Marian”, “Lucretia my Reflection” e “Vision Thing”, que os fãs despertam e cantam cada uma a plenos pulmões, naquele clima de bater cabeça na parede ou dançar sozinho de olhos fechados, afinal quem nunca fez isso dançando nos inferninhos de música gótica e post-punk?

sisters of mercy
Foto: Luck Veloso

Diante de toda aquela escuridão, a falta de baixistas, características das últimas turnês da banda, é compensada pela dupla de guitarristas formada por Ben Christo, isolado em seu canto, mas tocando como nunca, e Dylan Smith, membro mais recente, desde 2019, cumprindo seu papel como se tocasse na banda há bastante tempo. Ben é mais discreto e fica quase sempre do lado esquerdo do palco, enquanto que Dylan segue no outro lado e em mais evidência, fazendo até pose de bad boy como em “Show me”. Não há interação no show, muito menos pausa pra redobrar o fôlego, mas a galera parece não se importar muito com isso. O clima dark propicia cenas peculiares, com todos os quatro integrantes usando óculos de sol, enquanto que a bateria eletrônica de Ravey Davey comanda o espetáculo.

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Foto: Luck Veloso

Eldritch sempre foi um cara de temperamento forte, vivendo na caricatura de si próprio há muito tempo, ainda naquele tempo em que ser estranho era cool. De qualquer forma, é especial olhar Andrew cantar tudo aquilo como se nada tivesse mudado desde então, pois temos aquela sensação de que nada saiu do lugar de 30 anos pra cá. O repertório é totalmente previsível, já que o set list de todos seus quatro shows no Brasil é o mesmo, mas segue embalando gerações, como nas clássicas “Doctor Jeep” e “No Time to Cry”, em que um curto espaço de tempo é suficiente pra dançar ou ser introspectivo, numa antítese em que só mesmo o Sisters of Mercy é capaz de fazer.

sisters of mercy
Foto: Luck Veloso

A reta final do show se aproxima, mas antes temos tempo para o espetáculo dos feixes de luzes coloridas, liderado pelos solos de guitarra de Ben e Dylan, na instrumental de nome desconhecido. Logo depois, Andrew retorna e começa uma seção acústica com “Something Fast” e “I Was Wrong” para dar aquela acalmada antes do arremate final. Mas é realmente no bis que a coisa pega fogo pra valer, como na já citada “Lucretia my Reflection”, reconhecida por pensamento nos primeiros acordes, tirando toda a voz do público a partir daí. “Vision Thing” é outra que faz todo mundo dançar como se não houvesse mais nada no mundo e a gospel gótica “This Corrosion”, sem os corinhos da versão original, mas com Andrew, assessorado pelos backing vocals de Dylan e Ben, prova que o Sisters segue em forma mais do que nunca. Roupas pretas, danças desengonçadas e tudo mais são ingredientes essenciais para construir a aurora de um show de música gótica, em que mesmo vivendo dos louros do passado, ainda é fundamental pra sabermos que a música obscura pulsa forte.

sisters of mercy
Foto: Luck Veloso

Setlist:

More

Ribbons

Crash and Burn

Doctor Jeep / Detonation Boulevard

No Time to Cry

Alice

Show Me

Dominion/Mother Russia

Marian

Better Reptile

First and Last and Always

(Unknown) (Instrumental)

Something Fast

I Was Wrong

Flood II

Bis:

Lucretia My Reflection

Vision Thing

Temple of Love

This Corrosion

Abrindo o show do Sisters of Mercy, tivemos os curitibanos do The Secret Society. Formada em 2017, o line up da banda é composto por Guto Diaz (baixo e voz), Fabiano Cavassin (guitarra) e Orlando Custódio (bateria). Seu som faz lembrar um pouco do The Cult na fase “Electric” em diante e até Paradise Lost. O power trio mostrou ao vivo seu primeiro disco, “Rites of Fire”, lançado esse ano. O destaque foi para as canções “Beyond the Gates”, “Rites of Fire”, “The Final Cut” e o cover de “Cry for Love”, de Iggy Pop, que encerrou a apresentação. The Secret Society fez um bom show, cujo entrosamento junto ao som ajustado do Vivo Rio mostraram que a banda pode galgar voos mais altos no futuro.

2 thoughts on “Sisters of Mercy presenteia fãs com apresentação irretocável

    1. Olá Gabriel! Ficamos muito felizes, de verdade, espero que siga conosco, pois temos o maior prazer em produzir todo o conteúdo. Ouça nossos Podcasts e conte pra gente o que achou, grande abraço!

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