Mostrando sua técnica, Rosetta faz show frio diante de um público pequeno no Rio

Mostrando sua técnica, Rosetta faz show frio diante de um público pequeno no Rio

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domingo, 17 março 2019
Culturall

Por Renan Esteves (texto e fotos) – Shows de Post Metal são raros de acontecer no Rio de Janeiro. Quando rola, é sempre uma oportunidade de conhecer sons diferentes dentro do metal. Rosetta é uma banda da Filadélfia que incorpora elementos do Hardcore, Shoegaze e Post Metal – sendo este último o carro-chefe do grupo na atualidade. De forma humorada, a banda considera sua música como “metal para astronautas”, muito por conta da sua atmosfera espacial.

Com um pouco de atraso, a Rosetta subiu ao palco do Solar de Botafogo pra passar a limpo músicas de várias fase da carreira. A começar por “(Untittled III)” do “Quintessential Ephemera”, de 2005, segundo disco da banda. Diante de um público pequeno, vemos a canção crescer até chegar no ímpeto revoltoso do vocalista Michael Armine. Em “Neophyte Visionary”, do disco “Utopoid”, último disco lançado em 2017, é incrível a textura de cores no fundo do palco, destacando-se a guitarra de Matthew Weed.

Tons suaves de “Wake”, do segundo álbum “Wake/Lift”, de 2007, mostram dinamismo e enaltecem a bateria de Bruce McMurtrie Jr. Aliás, o baterista dita todo o show sem perder o ritmo. Tudo segue tranquilo com cada um dos quatro integrantes fazendo seu trabalho, que mescla sincronismo e leves bateções de cabeça do público. Quando chegamos em “Oku/the Secrets”, do disco “The Anaesthete”, de 2013, percebe-se a influência sonora de Neurosis, numa faixa que lembra bastante o som dos precursores do Post-Metal, onde a selvageria fica mais nítida, à medida que o vocal de Armine ganha peso. O trabalho que faz com que a dupla de guitarristas Matthew Weed e Eric Jernigan se destaquem a cada canção tocada. O concerto continua com mais duas: “King Ivory Tower” e “Qohelet”, ambas do “Utopioid”. Antes de começar “Qohelet”, Jernigam diz:”a música é uma sensação maravilhosa que pode nos levar a lugares que nunca descobrimos na vida e que isso é o que nos move a continuar a fazer o que gostamos”. Nessa mesma faixa, Armine desce do palco para cantar junto com a galera – um dos grandes momentos de interação da banda. “A Determinism of Morality”, do disco homônimo, lançado em 2010, e que encerra a noite, paira todo o clima espacial dentro do Solar, onde a chuva, rolando fora da casa, fazia o show ficar com ares de melancolia.

Foi uma apresentação rápida, de pouca interação e que faltou alguma coisa que pudesse ser acrescida no decorrer dela. Shows desse tipo são para plateias que conhecem o gênero. Os que curtem gêneros do metal mais rápidos podem sair decepcionadas, devido a introspecção de banda/público.

Setlist:

(Untittled II)

Neophyte Visionary

Wake

Oku/the Secrets

King Ivory Tower

Qohelet

A Determinism of Morality

Labirinto:

Os paulistas do Labirinto foram os responsáveis por abrir o show do Rosetta. Mostrando técnica, a banda fez um bom show e que seria muito interessante se tocassem em lugares ainda mais inusitados, como em conjunto com uma orquestra, por exemplo. A estrutura do Solar de Botafogo mostrou-se adequada e correspondeu bem a primeira apresentação da noite, apesar dos atrasos.

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