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Diversidade Cult

Rock in Rio: ‘dia do metal’ com boas surpresas e justiça feita

Black Pantera – foto: Renan Olivetti

Por André Cult – O Rock in Rio começou na última sexta (2/9) com aquele que é conhecido como “dia do metal”. Seria covardia comparar o line up com o de 2019, porque aquele foi provavelmente o melhor “dia do metal” da história do festival, mas neste ano nos deparamos também com boas bandas, surpresas e justiça! Nós da radiocultfm.com estávamos lá com nossa cobertura de guerrilha e enfrentando a falta de um item básico para os jornalistas do local: internet na sala de imprensa. O sinal intermitente, pra não dizer ausente, impossibilitou uma cobertura melhor em tempo real, mas estamos aqui pra dar um resumão do que vimos:

Crypta – foto: Eduardo Trindade

Apesar de ser um dia útil com um ponto facultativo que não funcionou muito, boa parte do público chegou cedo pra acompanhar tudo de perto. O Palco Sunset abriu com o Black Pantera entrando com pé na porta. A banda de Uberaba formada por Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo “Pancho” Augusto estreou no evento junto com os pernambucanos do Devotos, também estreantes no RIR, que participaram de parte do show. Com suas letras antifascistas e antirracistas, os mineiros celebraram a presença de três bandas negras naquele palco (o Living Colour foi outra grande atração da noite). Alguns dos destaques da tarde foram “Padrão é o Caralho”, Taca o Foda-se” e a versão de “A Carne”, de Elza Soares. O recado foi dado e o público respondeu diversas vezes com mensagens ‘amorosas’ ao Presidente da República, o popular “pedir Anitta”.

Saímos dali correndo para o Palco Supernova, do outro lado do Parque Olímpico, para acompanhar os shows da Crypta e do Surra, também debutando no festival. Ambas conseguiram reunir um bom público e abrir rodas de pogo longe dos holofotes. Fernanda Lira, líder da banda de death metal chegou a conversar rapidamente com a Cult e os amigos da Rock Press e Headbangers Brasil, leia aqui.

Um pouco mais tarde, o Living Colour subiu ao Palco Sunset para um show competente, muito groove e mensagens políticas, como incentivo ao voto e uma homenagem a Marielle Franco. O convidado do grupo foi Steve Vai, que tocou covers de “Crosstown Traffic” (Jimi Hendrix) e “Rock and Roll” (Led Zeppelin), transformando aquele momento numa grande festa, mas apesar da boa vontade, a guitarra estava baixa em alguns momentos.

Ao contrário de 2022, em 2011 o Living Colour tocou para praticamente ninguém no mesmo Palco Sunset, pois foi mal escalado para um dia pop com um público que desconhecia a banda. Primeira justiça feita.

Ratos de Porão – divulgação

E não para por aí. Outra justiça feita foi a escalação do Ratos de Porão no Palco Supernova. A banda chegou com seu show de 40 anos e vomitou crássicos da carreira, incluíndo sons que foram desenterrados apenas para essa tour. E tome política: a apresentação teve bandeira do MST, vários momentos de coro “pedindo Anitta” e, claro, as letras do Ratos. Após o show, João Gordo conversou com a Cult e com os parceiros do Portal Rock Press. Ouça aqui.

Pouco depois, a terceira justiça da noite: banda consagrada no underground nacional, a Gangrena Gasosa estreou no Rock in Rio com seu Saravá Metal. Infelizmente não conseguimos ver, pois foi no momento da entrevista com João Gordo, mas segundo relatos de ouvintes, deu tudo certo!

No Palco Mundo, o Sepultura abriu com a Orquestra Sinfônica Brasileira e fez um repertório único que misturava clássicos da banda, algumas músicas recentes e clássicos… clássicos mesmo! Foi possível pogar ao som de sinfonias de Beethoven. Em seguida, o Gojira chegou com muito peso e um volume que parecia mais alto que as demais atrações. Os franceses vieram com a turnê do álbum “Fortitude” e se destacaram com “Stranded” e a já consagrada “Amazonia”, com a presença de indígenas no palco.

Apesar da legião de fãs, o Iron Maiden demorou um pouco a empolgar porque o som estava mais baixo. A sequência de músicas novas do “Senjutsu” no início do set também não ajudou muito, mas logo o problema foi resolvido com “Revelations”. A partir daí, Bruce Dickinson não parou, como de costume. Correu, pulou, trocou de roupa, brigou com o Eddie e o fã viu tudo aquilo que esperava. Talvez a maior falha foi ter deixado “Aces High” pro final. Sim, é um dos maiores clássicos, mas Bruce já está com 64 e a música exige muito, o que gerou algumas falhadas na voz. Em 2019 ela foi a primeira do set e funcionou muito melhor.

Por fim, o Dream Theater assumiu a difícil missão de encerrar o festival. Ao contrário do que aconteceu com o Scorpions em 2019, boa parte do público ficou para curtir a banda de prog metal. Em pouco mais de uma hora a banda conseguiu dividir bem o set com músicas novas e antigas. Destaque para “Endless Sacrifice”, uma das mais pesadas do grupo. “The Count of Tuscany”, uma das mais viajantes deu uma cansada, talvez pelo horário, mas já era o final de tudo, então não tinha problema. Para encerrar, resgataram o único verdadeiro hit da carreira, “Pull Me Under”, que não costumam tocar sempre. A faixa provavelmente foi incluída por se tratar de um festival e trazer aquele clima de “todo mundo cantar junto”. Quem ficou até o fim, curtiu.

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