Tom Leão Na Cova do Leão

Um dos mais respeitados jornalistas do Brasil, Tom Leão está agora na Radiocultfm.com. Sua coluna semanal, NA COVA DO LEÃO, é um olhar felino sobre trilhas sonoras e sons que habitam a alma criativa de Tom. Venha sempre!

NA COVA DO LEÃO

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STAN RIDGWAY

O REI DA PAREDE VOODOO

STAN RIDGWAY: O REI DA PAREDE VOODOO

Pegando carona no Morricone da coluna passada, vamos (re)lembrar uma das bandas mais bacanas e obscura dos 80s, que emulava um pouco il maestro: a americana Wall of Voodoo. Eles até faziam um Morricone Medley no meio dos shows. Capitaneada por Stanard‘Stan’ Ridgway, ela teve breve momento de fama, quando estourou a música “Mexican Radio”, na MTV, no começo dos 80s.

Depois disso, Stan, foi trilhar caminho solo, enquanto o que restou da banda tentou se manter. Não rolou. A alma era Stan. Ele começou o WOV (apenas ele, sua harmônica e um monte de traquitanas eletrônicas), no fim dos 70s, como projeto de seu estúdio AcmeSoundtracks, criado especialmente para fazer trilhas sonoras e jingles. Como o Acme ficava perto de um clube de rock, em Hollywood, ele se juntou a uns amigos, vindos de diversas bandas punk locais, e acabou transformando o Wall of Voodoo num grupo, de fato. O nome (dado por um dos amigos, na véspera do primeiro show da banda), era uma brincadeira com o ‘wall of sound’, de Phil Spector.

O primeiro trabalho lançado pelo WOV, foi um EP, sem nome, em 1980. Com cinco faixas (duas delas, apenas vinhetas) previamente criadas por Stan. Tudo com cara de trilha sonora de western-spaghetti a la Morricone. Há uma versão sensacional para “Ring of Fire”, de Johnny Cash (toda à base de sintetizadores e guitarra tremolo), que usa trecho do tema do filme de espionagem “Flint Contra o Gênio do Mal” (“Our Man Flint”, 1966) em sua base. 

A curta carreira da banda (abreviada por brigas internas e muitas drogas), incluiu participação nos importantes festivais Urgh! A Music War (1981, da Anistia Internacional) e US Festival(1982). E, dois álbuns bacanas, com a formação original (“Dark Continent”, 1981, com músicas dos primeiros anos) e “Call of The West” (seu quase sucesso, 1982). Os que vieram depois, usavam o nome do WOV. Mas, não tinha mais Stan. Este, enveredou pelo que realmente queria fazer, desde o começo: trilhas.

E, começou muito bem, colaborando com Stewart Copeland (o baterista do Police) para o filme “O Selvagem da Motocicleta” (“Rumble Fish”, 1983), de Francis Ford Coppola. Neste, Stewart aparece na foto do encarte creditado como The Rhythmatist (o ritmista), porque toca uma batelada de coisas, incluindo até máquina de escrever. Mas, na única faixa com vocais,“Don´t Box Me In”, toda a verve e a voz peculiar de Stan, se destacam. Deu liga.

Depois, Stan lançou seu primeiro álbum solo, o ótimo “The Big Heat” (nome de famoso filme noir) e seguiu fazendo trabalhos que pareciam trilhas para filmes nunca realizados, como fazia nos tempos do Acme Soundtracks. Nenhum deles (onze, até agora) lançados no Brasil. Mas, para cinema, além de “Rumble Fish”, fez faixas ou scores completos para dúzias de filmes alternativos. Como “Slam Dance” (com o popstar inglês Adam Ant, 1987), “Um Som Diferente” (“Pump Up The Volume”, 1990) e mais uma dúzia deles, todos, aqui, em VHS.

Assim, Stanard Ridgway, permanece como um dos maiores talentos do som dos anos 80 (além de excepcional letrista) do qual (quase) ninguém conhece ou ouviu falar.

Tom Leão

Stan Ridgway

O multi-instrumentista, compositor e intérprete americano Stan Ridgway nasceu em 5 de abril de 1954, em Barstow, na Califórnia. O artista foi vocalista da banda Wall of Voodoo, de 1977 a 1983.

Suplemento especial Radiocultfm – por Luck Veloso
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