Going Going Going do Tosca: A mescla de Dorfmeister e Huber segue funcionando bem

Going Going Going do Tosca: A mescla de Dorfmeister e Huber segue funcionando bem

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sábado, 04 agosto 2018
Culturall

Por Luck Veloso – A música eletrônica tem tantas nomenclaturas, tantos segmentos e desdobramentos que, os que não estão diretamente ligados à chamada ´tribo´, podem se sentir um tanto perdidos. O renomado projeto austríaco Kruder & Dorfmeister dita as regras no tocante a remixes nos estilos Downtempo e Dub, adicionando novos temperos a músicas já estabelecidas e dando a muitas, outra cara, uma nova identidade e direção. O resultado das sonoridades (re)construídas por Peter Kruder e Richard Dorfmeister ganhou o mundo e com isso, veio o merecido reconhecimento. Daí nasceu um outro projeto, de igual qualidade, batizado Tosca, o qual lançou em 2017 o rico álbum “Going Going Going“.

A partir do início dos anos 1990, Richard Dorfmeister ampliou os horizontes de suas produções, unindo-se também a Rupert Huber, formando paralelamente o Tosca. Embora a palavra em português tenha conotações pejorativas, a produção deles nem de longe sugere o que a palavra significa para nós.  A obra do duo é vasta e recomendo que, além do disco que trataremos nesse post, você pesquise por outros trabalhos. O disco “Going Going Going“, lançado em 2017, mostra o lado mais versátil do duo, variando entre o House, o Funk e o Ambient Electronica, dando ainda, várias ideias de novas composições e possibilidades de ampliação de sonoridades.

Tosca em Going Going Going

O álbum contém 12 faixas que mostram toda a maleabilidade artística do Tosca, a começar por “Export Import“, uma viagem sonora, quase com sentimentos acústicos, que pode ser uma deliciosa trilha sonora para pegar estrada. Já em “Housner“, o ambiente dá uma caída, remetendo a um clima mais jazzy. A terceira faixa, “Friday“, embora não seja uma celebração, tem sim um clima de coisa suave, clima de final de semana. O dub reggae “Wo-Tan” tem atmosfera futurística e a partir de 1:04 ganha uma dobrada no tempo e vira quase um deep house. O lado experimental aparece de cara em “China Bar”, seguida por “Love Boat“, um mergulho no industrial com pitadas de old funk.

O disco segue, como uma viagem sonora, mostrando diversas possibilidades, como em “Tommy“, com seu sem tempo quatro por quatro recheada de riffs com delay e uma cama de samplers recortando o ritmo. Já em “Supersunday” (assim mesmo, tudo junto), o disco tira o pé do acelerador e mergulha numa preguiçosa melodia, digna de um domingo, para aos 1:10, entrar num compassado house de clima atmosférico pulsante, que cabe até em um warm up. Já em “Amber November“, o mergulho reflexivo é profundo, com um início melancólico mas que em seguida, também ganha ritmo compassado. Em “Dr. Dings“, declarada reinterpretação deles para o clássico “Horse With No Name“, do America, um clima reggae e suave, que desemboca na soturna “Olympia“, uma das faixas que mais remetem ao Kruder & Dorfmeister, cheia de ecos e suspense.

Por fim, o disco encerra com a quase alegre “Shoulder Angel“, um mix de house e jazz que remete a clubs refinados, beach lounge ou ainda, àquele entardecer em algum balneário com gente descolada e feliz, sendo a única faixa com um vocal completo presente no disco, que ao longo de suas 12 faixas, mostra que pode transitar em vários locais onde a boa música, a sonoridade tranquila e por vezes inusitadas do Tosca, podem nos levar a pensamentos, leves danças e quem sabe, até a algo mais, dependendo do estado de espírito de quem o ouve. Experimente e boa viagem!

 

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