Ergam seus copos por quem vai partir: Matanza enche arena em Realengo

Ergam seus copos por quem vai partir: Matanza enche arena em Realengo

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domingo, 24 junho 2018
Culturall

Por Jorge Felipe Coelho (fotos de celular)– Após o comunicado oficial de encerramento das atividades (saiba mais aqui), os cariocas do Matanza seguem cumprindo a agenda com os últimos shows da carreira de 22 anos, 7 álbuns de estúdio e um aclamado álbum ao vivo. Dessa vez, a mistura de countrycore e heavy metal irreverente do grupo foi até Realengo, na Areninha Carioca Gilberto Gil (conhecida nos primórdios como “Lona Cultural”), na noite do último sábado (23/06).

Por volta das 23h20min a apresentação teve início com a dobradinha escrachada “Bom é Quando Faz Mal” e “Arte do Insulto”, além das beberronas “Eu não Bebo Mais” e “O chamado do Bar”. A diversão apenas começava para o público, roqueiro e pacífico, que lotou o espaço para ver Jimmy London (vocal), Dony “Don” Escobar (baixo), Jonas Cáffaro (bateria) e Maurício Nogueira (guitarra).

O Matanza é um grupo distinto na cena rock, ao longo de sua jornada construiu um público fiel ao seu estilo Johnny Cash metal caminhoneiro cafajeste, porém sem atingir a popularização total. As apresentações variam pouco, assim, banda e público são tão íntimos que já sabem exatamente o que esperar um do outro. Por isso mesmo, não demorou muito para o vocalista com cara de mau, Jimmy, ser devidamente saudado com o habitual “Hey, Jimmy, vai tomar no #&+*&*%@%$!“.

Até o fim, o sarcasmo terá sempre de ser o principal tempero desse prato, então a galera cantou “Meio Psicopata” e “Tudo Errado”, do risonho pensamento lógico “Porque não existe coisa mais nociva que o idiota de iniciativa…”. No palco a banda é bastante precisa, sem firulas, e dão ainda mais sentido às canções do CD. Aliás, o último trabalho de estúdio “Pior Cenário Possível”, de 2015, tido como o mais pesado da banda, apareceu com a ótima “O Que Está Feito, Está Feito”.

Com a falta de ar-condicionado e adequada ventilação, o calor dentro da Areninha de Realengo era inevitável para a galera que cantava, pulava, dançava e se divertia na roda de pogo e nos moshes. Era um show do Matanza, o aquecimento somente intensificou com a fileira de clássicos deferida pelo grupo: “Eu Não Gosto de Ninguém”, Último Bar” e “Santa Madre Cassino”. Com a voz rouca, Jimmy saudou, novamente, o público e a icônica “Pé na Porta, Soco na Cara” chegou enfrentando problemas técnicos na guitarra de Maurício Nogueira.

Ainda que cause estranhamento, também há espaço para lirismo nas canções do Matanza, ele apareceu em “Tempo Ruim“: “Quero que a estrada venha sempre até você / E que o vento esteja sempre a seu favor / Quero que haja sempre uma cerveja em sua mão / E que esteja ao seu lado seu grande amor.”

Finalizando cerca de uma hora e meia de show, diretamente do ano de 2001, pura diversão com seu maior hit “Ela roubou Meu Caminhão”, seguido pelo mantra festivo “Estamos Todos Bêbados”.

Assistir a um dos últimos shows da carreira do Matanza é uma ótima oportunidade de se divertir com uma banda ligada ao underground, original, simples e competente. Como escreveram em seu derradeiro comunicado, parafraseando a si mesmos: “Ergam seus copos por quem vai partir!”

A agenda do grupo em junho segue com shows em Guarulhos (24/06) e Londrina (29/06). A banda ainda voltará mais uma vez ao Rio (28/07), com o Matanza Fest, no Circo Voador, antes de encerrar as atividades.

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One Comment

  1. Jeorgia says:

    “Ergam seus copos…” Muito bom.

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