Em noite de aniversariante, Steve Vai aquece o público com ótimo espetáculo no Rio Montreux Jazz Festival

Em noite de aniversariante, Steve Vai aquece o público com ótimo espetáculo no Rio Montreux Jazz Festival

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sexta-feira, 07 junho 2019
Culturall

Por Renan Esteves (fotos: Daniel Croce) – A primeira edição do Rio Montreux Jazz Festival mal começou e já chegou mostrando seu cartão de visitas logo no primeiro dia de shows. Tivemos Jazz, Samba, MPB e Rock dentro dos Armazéns 2 e 3, com direito a uma vista exuberante da Baia de Guanabara.

No Palco Ary Barroso, o show inaugural ficou por conta do pernambucano Amaro Freitas, que faz um Jazz que mistura elementos da música popular do Nordeste como frevo, maracatu, baião e coco. O repertório foi todo calcado no seu último disco “Rasif”, lançado em 2018. Além disso, a plateia reagiu empolgada com a performance do recifense passando uma sensação agradável a quem estava na primeira apresentação do dia. O destaque ficou por conta da canção “Encruzilhada”, de “Rasif”, uma junção de Frevo com Jazz que fez muita gente dançar como se estivesse no Carnaval de Pernambuco. A banda também conta com os músicos Jean Elton (baixo e acústico) e Hugo Medeiros (bateria), que souberam ditar o ritmo da apresentação.

A segunda atração do dia ficou por conta do Quarteto Jobim e Maria Rita, que trouxe para o Palco Tom Jobim o espetáculo “Chega de Saudade: 25 anos sem Tom Jobim”. Como acabei chegando no decorrer do show, peguei parte do espetáculo – e que espetáculo! Não faltaram músicas como “Chega de Saudade”, “Garota de Ipanema”, “Só Tinha de ser com Você”, “Corcovado” e “Águas de Março”, que foi repetida como bis antes do encerramento. O show também contou com algumas canções do famoso disco “Elis & Tom”, de 1974. O encontro dos filhos e netos de Tom Jobim mais Maria Rita, filha de Elis Regina, foi algo digno de um Palco Sunset de Rock In Rio, onde as parcerias sempre rendem bons frutos e o público é o que mais ganha no final.

De volta ao Palco Ary Barroso, tivemos o show de Diego Figueiredo. Paulista de Franca, ele possui 24 discos lançados e passeia por gêneros como Bossa Nova, Chorinho, Jazz e MPB. A apresentação teve mais público que a atração anterior e ele tocou covers de grandes artistas da música mundial, inclusive uma de Ary Barroso, que arrancou aplausos do público com seus longos solos no violão. Rolou uma participação especial com o guitarrista Ricardo Silveira, que demonstrou seus dotes musicais para os presentes no show. O encerramento ficou por conta de mais um cover: “Aquarela do Brasil”, do mesmo Ary Barroso.

Era chegada a hora de uma das atrações mais esperadas da noite: o norte-americano Al Di Meola. O músico tem 64 anos e possui discos de grande sucesso como “Elegant Gypsy” (1977), de onde saíram várias canções no show, e “Friday Night In San Francisco” (1981). Suas influências musicais vão de Paco de Lucía, que chegou a gravar com o espanhol, e o argentino Astor Piazzolla. Uma curiosidade é que foi o primeiro show a ter ingressos esgotados para o Rio Montreux Jazz Festival, prova de que o público conhece a sua obra. Sem dúvida, foi um dos melhores shows desse festival.

Al Di Meola vai se soltando aos poucos, e no decorrer do show faz uma pausa e pergunta se todos estão se sentindo bem e que é uma grande honra estar tocando nesse festival, do qual participou várias vezes da edição suíça, realizada na cidade de Montreux. Os outros integrantes: Fausto Beccalossi (acordeão) e Kemuel Roig (piano) formam uma grande dupla, servindo de suporte para o desempenho afiado de Al Di Meola em seu violão. Em mais de uma hora de show, a impressão que se dá é que você está em algum lugar do mundo como Sevilha ou Buenos Aires, tamanha a viagem que o trio faz pelo Palco Tom Jobim, onde se tem de tudo um pouco: desde Tango até música cigana. Enfim, foi um verdadeiro deleite para os presentes diante dessa performance.

Encerrando a primeira noite de shows, tivemos o Jazz saindo da tangente e dando espaço para o rock. O Palco Villa-Lobos foi acionado pela primeira vez para uma apresentação totalmente especial. Steve Vai estava lá para destilar seu rock instrumental para uma plateia ávida por boa música. O palco estava totalmente lotado e é o maior dentre os três utilizados nos Armazéns 2 e 3. Sem falar que tivemos um ingrediente especial: era aniversário de 59 anos do músico, que comemorou com um show excepcional.

Vai começa a pleno vapor com “Racing the World”, do disco The Story of Light”, de 2012. O repertório é todo baseado na sua bíblia, podemos chamar assim, “Passion and Warfare”(1990).  O baterista Jeremy Coulson mostra que não está de bobeira e quer roubar a cena no espetáculo. E é isso que vemos em “Velorum”, onde sem dó nem piedade detona sua bateria para grande alvoroço dos fãs. Ainda há espaço para o baixista Philip Bynoe mostrar serviço e participar ativamente de boa parte do show, como nas faixas “The Animal”, que ganha contornos Jazz, com Steve Vai arranhando sua guitarra como nunca, e na sublime faixa “Whispering a Prayer”, que deixa de lado a energia das guitarras para uma calmaria reflexiva que vai relaxando os presentes no Villa-Lobos.

Porém, o melhor ainda estava por vir. Como era uma festa de aniversário ao mestre Steve Vai, não faltaram homenagens. Tivemos Joe Satriani, pelo telão, na faixa “Answers”, e John Petrucci (Dream Theater), na faixa “The Audience is Listening”. A última metade do show é uma sequência voltada para o disco “Passion and Warfare” (1990).  Steve vai provoca a galera em vários trejeitos na guitarra, ao som ô ô ô em que parece que estamos no estádio de futebol de tão intenso barulho. É claro que o público que ouvir aquela do clipe gravado na montanha, mas antes ainda tem muita lenha para queimar e Steve Vai & cia não se fazem de rogados ao tocar as outras canções antes da cereja do bolo.  Tem duelo de guitarras e baixos entre Vai e Philip Bynoe mais Dave Weiner, num dos pontos fortes da apresentação. Steve faz malabarismos com sua guitarra antes de anunciar mais um convidado especial: Andreas Kisser (Sepultura), dessa vez ao vivo e de corpo e alma, sem participar no telão, em “The Murder”.

Na curta “Liberty”, a emoção toma conta da banda e da plateia com o telão exibindo momentos marcantes da carreira do guitarrista. É impressionante como a música tem o poder de nos transportar para diversos lugares mesmo sem sairmos do palco. Logo depois chega o momento esperado por todos com “For The Love of God”, música em que muitos foram iniciados a gostar de Steve Vai. Não tem como não ficar arrepiado ao ouvi-la novamente, parecendo que é a primeira vez que a banda toca ao vivo. Steve Vai dá um breve intervalo e volta para o bis com “Fire Garden Suite IV – Taurus Bulba”, com seu filho Fire e toda a equipe de produção com um bolo para que o aniversariante faça todos os protocolos de discurso e assopre as velinhas. Num primeiro dia em que tivemos mais Jazz que Rock, foi justamente o Rock que fez lotar o Palco Villa-Lobos e fazer uma celebração digna de um monstro da música instrumental. De todo modo só temos a dizer: parabéns Steve Vai e volte sempre ao Rio!

Setlist Steve Vai:

1. Racing The World
2. Velorum
3.The Animal
4.Tender Surrender
5.Answers
6.Whispering a Prayer
7.The Crying Machine
8.The Audience is Listening
9.Sisters
10.The Murder
11.Liberty
12.For The Love Of God
Bis
13.Fire Garden Suite IV – Taurus Bulba

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