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Dream Theater no Rio: jogo ganho

Por André Cult com fotos gentilmente cedidas por Daniel Croce (Roadie Crew)

Dream Theater - Daniel Croce
James Labrie – foto: Daniel Croce

O Dream Theater subiu ao palco de um Vivo Rio lotado na última sexta (6/12) já com jogo ganho. Afinal, tocar na íntegra o álbum mais popular da carreira pode atrair todo tipo de fã, desde a viúvos do ex-baterista Mike Portnoy, que torce o nariz para a fase atual da banda, até o cara que conheceu o som neste século. E como o grupo já tinha agradado a todos de antemão, qualquer coisa que fosse tocada no primeiro set seria bem-vinda, por isso, tome música nova! No total foram cinco do álbum “Distance Over Time“, lançado no início do ano, coisa que poucos fazem hoje em dia.

Dream Theater - Daniel Croce
John Petrucci – foto: Daniel Croce

Após um vídeo no clima do novo trabalho, mas que fazia uma retrospectiva da discografia, o Dream Theater iniciou pontualmente sua apresentação com ” Untethered Angel “, primeiro single de “Distance Over Time”. Em seguida, a boa surpresa foi “A Nightmare to Remember”, do sombrio álbum “Black Clouds & Silver Linings”, que apesar de não parecer, já completou 10 anos. É nela, com seu refrão grudento e seus trechos black metal, que Jordan Rudess (teclado) deixa de ficar rodando pra lá e pra cá em seu posto e saca sua Keytar para duelar com John Petrucci (guitarra). O problema é que até aí o som ainda estava um pouco embolado, só melhorando pouco tempo depois. E é no fim desta dobradinha que James Labrie (vocal), com seu pedestal de caveira (igual a da capa do disco), conversa rapidamente com o público. Rapidinho, porque o povo quer som!

Dream Theater - Daniel Croce
Mike Mangini – foto: Daniel Croce

Ainda que eles tenham caprichado nas novidades, o público fiel cantava tudo, inclusive as partes instrumentais com o clássico “ôôôô”, como na viajante e cheia de teclados “Fall Into the Light” e em “Barstool Warrior”, esta com um solo incrível de guitarra. Para encerrar o primeiro ato, foi escolhida “Pale Blue Dot”, última faixa e uma das mais pesadas de “Distance…”. Porém, foi com o clássico “In the Presence of Enemies, Part I”, do “Systematic Chaos” (2007) que a cozinha (e que cozinha!) de Mike Mangini (bateria) e John Myung (baixo) mostrou a que veio. Mangini é um monstro e não tem como negar isso.

Dream Theater - Daniel Croce
John Myung – foto: Daniel Croce

Após um intervalo de 20 minutos, a banda volta para o segundo ato, a tão esperada execução de “Metropolis Pt. II – Scenes From a Memory” (1999), popular “Scenes”, na íntegra. O álbum conceitual conta a história de Nicholas e sua vida passada, Victoria, que foi assassinada e o assombra para mostrar a verdade sobre o crime. A trama completa você pode conferir aqui.

Dream Theater - Daniel Croce
James Labrie – foto: Daniel Croce

É neste momento do show que o telão vira a cereja do bolo na apresentaçao. A história é contada como um cinema mudo e mais tarde com uma animação que inclui até homenagens a nomes como Stevie Ray Vaughan, Chris Squire, Chris Cornell, Randy Rhoads, entre outros. Diferente do DVD “Live Scenes From New York”, não há um ator interpretando o terapeuta e nem o coro gospel em “The Spirit Carries On” e “Through My Words”, mas se você acha que, além das músicas, a galera não cantou cada frase dos diálogos, está muito enganado. Foi só ouvir “Close your eyes and begin to relax…” que o Vivo Rio parecia uma igreja em horário de missa (satânica, por favor).

Dream Theater - Daniel Croce
Jordan Rudess – foto: Daniel Croce

Em uma rápida parada neste segundo ato, James Labrie agradeceu a todos pela presença e lembrou que “Scenes” foi o primeiro álbum com Jordan Rudess nos teclados, e é claro que o músico foi mais uma vez muito aplaudido até que ele mesmo emendou com um leve improviso na introdução de “Home”. E assim voltava a porrada. Pouco depois, Rudess brilhou também na hipnotizante “The Dance of Eternity”, que faz trinca com “One Last Time” e “The Spirit Carries On”, formando assim o momento mais emocionante do show. Após uma execução perfeita com quase todas as faixas bem próximas ao original, chega “Finally Free”, a saideira do disco, na qual Mangini resolveu se empolgar e dar uma boa acelerada no final. E como era esperado, o telão se encarregou do encerramento até a famosa frase “Open your eyes, Nicholas” seguida do susto que fecha a tampa.

Dream Theater - Daniel Croce
Dream Theater – foto: Daniel Croce

Como se precisasse, ainda rolou um bis com a também novata “At Wit’s End”, mais uma cantada em uníssono por fãs que ainda queriam muito mais, mesmo após as prometidas três horas de apresentação. Não é qualquer banda hoje em dia que se dá ao luxo de encerrar com música nova e fazer um set longo sem o maior hit da carreira. Provavelmente ninguém sentiu falta de “Pull Me Under” e isso é bom. Que venha uma tour comemorativa do “Six Degrees of Inner Turbulence” e outros lançamentos, já que sonhar é de graça.

1- Untethered Angel
2- A Nightmare to Remember
3- Fall Into The Light
4- Barstool Warrior
5- In the Presence of Enemies, Part I
6- Pale Blue Dot
Intervalo
7- Regression
8- Overture 1928
9- Strange Déjà Vu
10- Through My Words
11- Fatal Tragedy
12- Beyond This Life
13- Through Her Eyes
14- Home
15- The Dance of Eternity
16- One Last Time
17- The Spirit Carries On
18- Finally Free
Bis
19- At Wit’s End

2 thoughts on “Dream Theater no Rio: jogo ganho

  1. Oi, tudo bem? Excelente texto. No início, a parte “desde a viúva” soa bastante ofensivo pra mulheres. Se trocasse para “desde os viúvos” que abrange os dois sexos, a leitura seria bem mais agradável. Aliás, o show foi fantástico! Obrigada.

    1. Olá Aline, obrigado por participar! Sim, você está certa. É que muita gente já conhece o termo, mas em momento algum desejamos soar ofensivos às mulheres. Obrigado, vamos alterar!

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