Dream Theater emociona com Ópera Rock no Rio

Dream Theater emociona com Ópera Rock no Rio

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sábado, 25 junho 2016
Culturall

 

Por André Luiz Costa – Quem já foi a algum show do Dream Theater sabe que a apresentação da turnê “The Astonishing” é completamente diferente de tudo que já foi feito pela banda. Talvez, o mais próximo que tenham chegado disso foi no álbum “Metropolis II – Scenes From a Memory”, de 1999, que além de ser conceitual, foi tocado na íntegra em diversos shows pelo mundo junto com alguns hits. A diferença é que desta vez o set list é composto somente pelo novo álbum, que é duplo, diga-se de passagem. A ópera rock foi bem aceita pela crítica, principalmente nos EUA, mas em alguns lugares, fãs mais radicais (e viúvas do Portnoy também) torceram o nariz por ser um disco com menos peso e muito mais progressivo. Por isso, podemos dizer que foi uma atitude de coragem sair em um giro mundial apenas com o repertório novo. E não estamos falando só das músicas, mas sim de toda uma produção com telões espalhados pelo palco, uma iluminação impecável e toda aquela atmosfera de teatro, apenas com cadeiras. Tudo milimetricamente cronometrado para dar certo, o que talvez não funcionasse em um set normal, onde há mais improvisos e interações com o público. Foi um enorme risco que eles decidiram correr, mas no fim deu tudo certo.

Com um atraso de aproximadamente 40 minutos, as luzes se apagaram para dar início a uma introdução hipnotizante com os, já clássicos, drones da história e muitas luzes piscando. Vale lembrar que os vídeos são um show a parte. Explosões, castelos, veículos voadores, paisagens, pântanos, e alguns momentos que até lembram um pouco o “The Wall”, do Pink Floyd. Tudo isso para contar a história, que se passa em 2258, quando não há mais música feita pelo homem, apenas máquinas que fazem parte de um império opressor. Após a intro, a galera sentada, ainda desacostumada com aquilo, começa a gritar ao ver Mike Mangini aparecer por trás da bateria. Agora sim, vamos finalmente de som. John Myung (baixo), John Petrucci (guitarra e violão) e Jordan Rudess (teclado) iniciam a saga, já com solos viajantes de guitarra, mas nenhuma surpresa. Apesar de ser bem melhor ao vivo, não se esqueça que quase tudo foi praticamente igualzinho ao disco. James Labrie (vocal) subiu ao palco logo depois e cantou como nunca. Parece que está melhor a cada passagem pelo Brasil. O cantor, que faz o papel de todos os personagens da história, emocionou o público com todas as variações de sua voz na interpretação.

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Agora, se formos destacar um integrante, podemos dizer que o maestro ali em cima era mesmo Jordan, que com seu teclado giratório puxava quase todas as músicas e fazia belas passagens entre as faixas. Ele foi o responsável pelos momentos mais viajantes ao lado de Petrucci e pelos de contraponto dramático, ao lado de Labrie. E claro, foi a alma progressiva da noite, com momentos em que fez lembrar sons de ícones do gênero como Emerson Lake and Palmer e Triumvirat, só pra citar alguns. Só foi uma pena que os violinos de “The Astonishing” rolaram em playback, mas mesmo assim valeu.

Sobre as músicas, no Act 1, vale destacar logo na abertura “Dystopuian Overture”, o primeiro single “The Gift of Music” e “The Answer”, que com suas variações mostraram o que estaria por vir. Algum tempo depois, a sequência com a vinheta “The Hovering Sojoum” e as faixas “Brother, Can You Hear Me?” e “A Life Left Behind” (com todos cantando no fim) também empolgaram os presentes. No final deste ato, em “A New Beginning”, ocorreu também a provável única grande fuga do protocolo, quando Petrucci solou por mais tempo e foi aplaudido de pé pela multidão. Logo em seguida, veio “The Road to Revolution”, que acordou de vez os que estavam cansados das baladinhas.

Após um intervalo de uns 15 minutos, veio o Act 2. E foi aí que o bicho pegou. Foi nesta segunda parte que rolou o momento “mais DT” da noite: a sequência com “The Path That Divides”, “Machine Chatter” e “The Walking Shadow”, que sem dúvida é a mais parecida com trabalhos anteriores da banda, principalmente no peso. E nessa hora, o que mais tinha era gente em pé nas laterais da casa, todos já cansados de ver tudo aquilo numa cadeira. Foi quando finalmente veio “The Hymn of a Thousand Voices” e Labrie pediu para que todos se levantassem, transformando a apresentação num show de rock de verdade. E as fotos (mesmo com celulares), que estavam proibidas durante todo o espetáculo, foram liberadas logo depois em “Our New World”, que foi cantada em uníssono. Pra completar, na faixa título, muitos foram lá pra frente ver da beira do palco. “Astonishing” foi a arrepiante saideira, que muitos vão guardar na memória e os radicais vão se doer quando assistirem na TV, já que é praticamente certo que vai rolar um DVD.

Veja o set list:

 

01- Descent of the NOMACS
02- Dystopian Overture
03- The Gift of Music
04- The Answer
05- A Better Life
06- Lord Nafaryus
07- A Savior in the Square
08- When Your Time Has Come
09- Act of Faythe
10- Three Days
11- The Hovering Sojourn
12- Brother, Can You Hear Me?
13- A Life Left Behind
14- Ravenskill
15- Chosen
16- A Tempting Offer
17- Digital Discord
18- The X Aspect
19- A New Beginning
20- The Road to Revolution

Intervalo

21- 2285 Entr’acte
22- Moment of Betrayal.

Hits: 1734

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