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Dia Mundial do Rock – o rock and roll ainda respira?

Por Luck Veloso com fotos de Rogério Bezerra – O Dia Mundial do Rock é festejado neste dia 13 de julho e apesar de ser um dos movimentos mais importantes do mundo, vem brigando há pouco mais de uma década para permanecer entre os estilos mais ouvidos. A briga é feia e ele vem perdendo, aviso. Claro que estamos falando em termos de Brasil, mas olhando por um viés mais amplo, observamos que houve uma grande transformação na audiência musical, consequentemente, na produção de conteúdo para entretenimento, via música. Se trouxéssemos de volta, num túnel do tempo no estilo De Volta Para o Futuro, os caras que fizeram a alquimia de juntar o Blues, o Country, pitadas de Rhythm and Blues e por que não, ecos do Gospel, condensando tudo isso no que viemos chamar, a partir dos anos 1940, como “rock”, será que eles estariam felizes?

Apesar da vontade de muitos de ainda bradarem o slogan “rock and roll forever“, existem números fortes, que comprovam essa transformação das melodias. Não precisam dados científicos. Clique agora mesmo no Google e digite “estilos mais ouvidos de 2020”. Não chore. A data de 13 de julho foi escolhida para celebrar o rock, numa clara homenagem ao megaevento Live Aid, que ocorreu no mesmo dia, em 1985, organizado pelo multitalentoso Bob Geldof, que entre muitas façanhas, ficou mundialmente conhecido por interpretar o papel de “Pink“, personagem principal na obra prima “The Wall“, de 1982, produzido por Alan Parker, tendo o álbum homônimo da banda Pink Floyd como tema central.

E aí, mergulhamos de volta no tema “rock and roll“, trazendo o holofote aqui para o nosso umbigo. Como bem cantou Lobão, será que “o rock errou“? – A resposta à pergunta vale um milhão de dólares (em dinheiro legal, por favor) e ainda, esbarra com questões que envolvem a modernização, o acesso a computadores, um forte apelo da mídia (sem generalizar) analisando o que despejam sobre as massas, para empurrar o que eles querem que seja o novo “status quo” do universo.

Trazendo ainda mais para o centro do nosso umbigo, por vezes nos fazemos a pergunta: “será que o que ouço, pode ser considerado boa música?” – Quem determinou o nível de qualidade disso ou daquilo, você ou o que você consome? E aí, outra questão entra na ´cadeia alimentar´, que é a de ´somos o que consumimos´, ou ´damos ao universo o que ele nos faz reverberar´. E aí juntamos a questão do acesso global à produção musical, tornando todos os que têm a posse de um “gadget“, ou, traduzindo para o bom e velho português, alguma tranqueira eletrônica que permita balbuciar algum tipo de som, eterniza-lo pelo meio da gravação em alguns bytes, formar quem sabe um loop e derramar no corpo da composição que nasce, alguma forma de expressão, que alguns podem até chamar de letra, mas que hoje em dia, na grande maioria das vezes, poderia ser considerado em outros tempos melhores, como verborragia ultrajante.

Peço perdão, pois quando comecei a escrever, não pensei que me alongaria tanto, mas como música me é uma paixão cara e posso dizer, para mim é uma questão inclusive de sobrevivência, pois atualmente vivo quase que completamente desse universo a qual pertenço e me inseri desde pequeno, nas mais diversas variantes, dano a falar. Venho crescendo, de DJ a fotógrafo, passando ainda por redator amador (em todos os sentidos da palavra) e conector de produtores de conteúdo, além de mergulhar mais recentemente, nos estudos e práticas do marketing que envolve todo o universo musical. Com tudo isso, me considero um privilegiado, pois pela necessidade do meu trabalho, preciso ouvir do Jazz à Bossa Nova, passando pelo Metal, Classic Rock e a Música Eletrônica. Mas penso, com pesar, sobre os que não têm essa possibilidade, ou ainda, necessidade e um tanto pior, vontade, de dar um mergulho mais amplo e que aceitam as migalhas que a indústria major insiste em derramar sobre eles?

Aí o Dia Mundial do Rock, após todas essas reflexões que me vieram à mente, atualmente me soa um tanto quanto saudosista. Há muito, muito tempo, se perdeu o espírito inovador, encrenqueiro, questionador e empreendedor do rock. Isso me lembra aquela música, deliciosamente chorosa do RPM: “Pobre de mim, que invento rimas assim, pra você e um outro vem, em cima e você nem pra me escutar“. É meu amigo, hoje em dia, só mesmo tendo um Olhar 43 para conseguir filtrar e separar o joio do trigo. Até porque, o trigo hoje em dia é tão malhado que nem pode mais ser considerado algo que vá te dar algum alimento. Desejo de coração, que você consiga surfar no excesso de espuma sem conteúdo que o cenário atual apresenta, em sua esmagadora maioria. Quem sabe, uma hora dessas, a coisa vire e tenhamos novamente a possibilidade de enxergar um mar, ainda que revolto, como sempre foi e sempre deveria ser o bom e velho rock and roll.

One thought on “Dia Mundial do Rock – o rock and roll ainda respira?

  1. Belo texto! Exatamente assim. Vivemos em um mundo que parece já se satisfez com a explosão criativa dos anos 60/70/80/90. Estacionou, e, pior, degringolou pro lado do comércio musical fast food! Vale tudo! Sobrevivemos do passado e de raras novidades.

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