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Clive Davis, o executivo de faro infalível para o sucesso

Por Jamari França – O maior descobridor de talentos da indústria do disco de todos os tempos se chama Clive Davis, conhecido como Golden Ears, Ouvidos de Ouro, pelas contratações certeiras em cinco décadas. Um deles Sean Combs/Puff Daddy diz que ele é autor da trilha sonora de nossas vidas, tal a abrangência de seu trabalho no pop, rock, country, rap sempre fiel ao lema de constante renovação.

Revelou Janis Joplin, Bruce Springsteen, Santana, Simon & Garfunkel, Chicago, Blood Sweat and Tears, Aerosmith, Sean Combs, Notorious Big, Maroon 5, Alicia Keys e muitos etc. Reviveu carreiras em baixa de Aretha Franklin, Dionne Warwick e do próprio Santana, lista longa demais para citar aqui. Aos 87 anos e ainda em atividade, sua vida é contada no documentário Clive Davis – The Soundtrack of Our Lives (A Trilha Sonora de Nossas Vidas) da Apple Musc, em cartaz na Netflix com o brochante título em português de Clive Davis – Nosso Ritmo.

Claro que o documentário é uma babação de ovo do começo ao fim, o dark side do nosso amigo foi guardado num lugar seguro. Senti falta de mostrarem como ele atravessou o período de crise das gravadoras com ascensão da internet, que transformou completamente a indústria.

Clive descobriu o rock no Festival de Monterey, 1967, e conta que tremeu dos pés à cabeça diante de Janis Joplin, “Eu sabia que havia uma revolução social, mas ali percebi que havia também uma revolução musical,” conta. Contratou Janis ali mesmo, aliás a Big Brother and The Holding Company, ela era a vocalista da banda. Diz que Janis ficou tão feliz que o convidou: “Vamos para a cama.” Ele disse que estava honrado mas não queria misturar negócios com prazer – era caretão, ficou foi com medo de encarar a fera. Foi a Monterey de roupa social e logo percebeu que o esquisito ali era ele.

Clive manipulava artistas na área pop, um tal de Barry Manilow só gravava o que ele queria e se conformou depois de ver os $$$$ caírem em sua conta. Transformou o insuportável Kenny G num superastro com milhões de discos vendidos. No rock tinha outros critérios que não os cifrões, por isso contratou a escritora, poeta e cantora Patti Smith, se encantou pela inteligência, talento e honestidade dela e o cantor e poeta Gil Scott Heron, famoso pela canção The Revolution Will Not Be Televised.

Pegou Santana cinquentão e fora das paradas de sucesso e produziu o álbum Supernatural com convidados, 20 milhões de cópias vendidas. Quando ganhou o Grammy de melhor álbum ele disse que só  Clive podia transformar um guitarrista cinquentão que não canta uma nota num campeão de vendas. O mesmo com Rod Stewart, recusado por outras gravadoras com o projeto The Great American Songbook, acabou rendendo cinco volumes, todos com vendas superiores a um milhão de cópias.

O documentário dá grande espaço para a saga de Whitney Houston, que Clive descobriu em 1983 quando ela tinha 19 anos e cuidou de sua carreira mais do que bem sucedida com 200 milhões de discos vendidos, muitos, claro, depois de sua morte por overdose em fevereiro de 2002 aos 48 anos. Sua fama de Golden Ears nunca foi tão testada e acabou confirmada com louvor. Reuniu os maiores compositores pop em Los Angeles e Nova York, apresentou-lhes Whitney e pediu material para ela gravar. Sendo quem era, foi inundado com toneladas de fitas cassete, de onde selecionou músicas para o primeiro álbum (22 milhões de cópias vendidas) e o segundo (23 milhões) e assim por diante Uma mina de ouro que tratava como filha até a derrocada dela, envolvida com drogas, algumas rehab, até o desfecho.

Não à toa ele era chamado de Golden Ears, Ouvidos de Ouro, pelo faro para o sucesso, no caso dela, ajudado por uma das vozes mais espetaculares da História. Não é meu tipo de música, mas não há como negar o talento dela, burilado desde a infância em corais e pela mãe, a também cantora de longa carreira Cissy Houston.

Contei apenas algumas facetas de Clive Davis, bom mesmo é ver o documentário. Já vi duas vezes. Vai nessa!

Confira abaixo a playlist dedicada ao documentário, no Spotify

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