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Cascadura se reúne para shows comemorativos; confira entrevista

Cascadura – divulgação

Por Junior Abreu – A banda Cascadura vai comemorar seus 30 anos de carreira com três shows na Bahia. As apresentações acontecem no dia 6 de agosto, em Feria de Santana (Casa Noise), e nos dias 13 e 14 em Salvador (Largo da Tieta – Pelourinho). Os ingressos já estão à venda nestes links: aqui para Salvador e aqui para Feira de Santana.

O grupo, que decretou o fim de suas atividades em 2015, resolveu se reunir apenas para esta comemoração de três décadas. Para isso, Fábio Cascadura, fundador, cantor, guitarrista e autor de todas as canções (com ou sem parceiros), vem do Canadá, onde reside desde 2016, para dividir o palco com a formação de 2013, que conta com Thiago Trad (bateria), Du Txai (guitarra) e Cadinho Almeida (baixo). E nosso parceiro Junior Abreu (músico e produtor) conversou com este último sobre o retorno:

flyer cascadura
Flyer Cascadura – reprodução

Junior Abreu: Sei que você é amigo da banda desde sempre, mas sua entrada na banda se deu a partir do disco ‘Bogary’. Como foi essa entrada?

Cadinho Almeida: Conheço o Thiago Trad de muito tempo através de amigos em comum e andanças do rock. Essas andanças me levaram também ao Fábio Cascadura, já que eu frequentava os shows e a banda que eu tinha na época, a Hares, chegou a abrir um show para o Cascadura em 2007 ou 2008. Eu entrei, não na “fase Bogary”, mas sim, para a turnê do disco “Aleluia”, em 2012. Além dessa coisa de sermos rostos e nomes conhecidos uns dos outros, a minha chegada se deu de maneira fluida. Eu já tocava no Nganga Afrobeat com o Du Txai, que estava na banda antes de mim, assim como eu tocava na banda Retro_Visor, que vinha se destacando no cenário da música instrumental em Salvador, além do Chip Trio, que era uma banda de rock “da night” como dizemos por aqui. Quando o Cascadura quis estabelecer “a formação Aleluia”, o Du me mencionou, assim como o próprio Thiago foi acompanhando os meus trabalhos e aí a aproximação foi se dando de maneira natural e de lá não mais saí.

 
JA: O que mudou na sua vida tocar no Cascadura?

CA: Ao longo de, praticamente 20 anos de carreira, estive em diversas bandas, montei diversos trabalhos, fui construindo a minha história nessa trajetória. Montei bandas e coletivos que ganharam destaque, sobretudo, no cenário alternativo da Bahia. Como freelancer, trabalhei com nomes de projeção nacional, mais pop e tal, mas com o Cascadura, foi e sempre tem sido uma visibilidade diferenciada, especial e, também, específica, dada a solidez do nome da banda. Esse tipo de capital é muito importante para profissionais da música que trabalham como eu trabalho. É bacana demais atestar, por Fábio e Thiago, assim como pelo público, que eu agreguei à sonoridade da banda. A minha linguagem se adaptou a toda a gama de diferentes estéticas que estão ali mescladas. Nem só de punk rock vive o homem… risos. Du Txai já sabia disso de antes, mas é bem gostoso surpreender… +risos 
É isso, ser parte da história do Cascadura, sendo de uma formação tão celebrada, agrega esse valor imediato de prestígio, assim como torna a estrada um campo de encontros com artistas – músicos ou não – que nos são referência e que amam o nosso som. Tudo isso dá gana individual de seguir trilhando esse caminho ardiloso, cruel, bonito e agridoce que é trabalhar com arte, com música, assim como torna os nossos reencontros como os que ocorrerão em agosto próximo, celebrações especiais, emocionantes e verdadeiras.

JA: A Bahia tem um histórico positivo no quesito lançar grandes artistas. Por que o Cascadura não explodiu no Brasil??

CA: Como você mencionou, a Bahia tem o histórico, sim, de lançar grandes artistas e muitos deles não explodem no Brasil como um todo. Este “como um todo” aqui mencionado é por conta das dimensões do nosso país, de todos os “Brasis” nele espalhados. Não posso afirmar acerca de todas as motivações e todos os objetivos da banda na sua origem – já que eu não estava lá em 1992 -, mas asseguro como desde público até integrante, o comprometimento do Cascadura com a arte e o tanto que isso é somado às dinâmicas da gestão de um trabalho independente. Evidente que é uma pergunta comum, seja por parte de alguns dos fãs, quanto em algumas entrevistas, mas que não se sustenta como questão entre “os Cascaduras”. Somos uma banda que agora em 2022 completa 30 anos, com muita estrada em andanças em, praticamente, todas as regiões do país. Temos um público afetuoso, fiel, interessado, que não pára de se renovar, com solicitações de shows em diversos dos nossos “Brasis”… Cada cantor, cada cantora, cada banda… …enfim, cada um(a) tem a sua história e hoje, em todas as bandas que faço parte, assim como, na minha carreira solo, busco a alegria e a dor de construir uma biografia rica como a do Cascadura. Sempre me inspiro na competência e capacidade (paciência também, né) de gerir a própria carreira ao passo em que se leva tanta alegria e emoção através de shows intensos, em grandes músicas, em uma  discografia sólida em qualidade. 
PS: Fabão é um dos mais fodões na arte de compor. 
Voltando… Vamos lá. 

JA: O “Bogary” alcançou grandes marcas após seu lançamento. Na sua visão, foi pela qualidade do álbum ou por ter sido distribuído no projeto do Lobão: a revista ‘Outracoisa’, sendo vendido com uma revista na banca de jornal?

CA: Bem, pessoalmente, compartilho da opinião de tantos acerca da discografia da banda ser recheada de grandes músicas em grandes discos, mas é evidente que cada grupo, geração, pessoa, tem as suas predileções. Notoriamente, o “Bogary” está no “lado A” da moçada e é um disco realmente especial. Ele foi de impacto imediato, as músicas estavam diretamente em diálogo com os tempos em curso, tanto em sonoridade, quanto na abordagem dos temas das letras. As características de composição e os parâmetros melódicos se mantêm – ainda bem e para a nossa alegria, risos -, porém, contextualizados em timbres e referências que o Fábio estava muito imerso naquele período. O resultado foi como uma combustão imediata sem abrir mão de toda a sofisticação que vinha caracterizando os 3 álbuns anteriores. A distribuição pelo “Outra Coisa” foi um impulso fundamental, em especial para aquele momento instável da indústria fonográfica. A venda de discos em bancas de revista chacoalhou muito as estruturas engessadas do mercado musical. Isso se somou com os passos dados pela banda, como a  mudança para São Paulo… Há toda uma cadeia de histórias daquele período que convém que sejam contadas pelo Fábio Cascadura e/ou pelo Thiago Trad!!

JA: A banda Cascadura ainda influencia novos artistas na Bahia?

CA: Sim. Como tratei acima, o público do Cascadura se renova sempre e muitas dessas pessoas se inspiram a tocar instrumentos, ter bandas, cantar, compor… A obra está aí e muito nos orgulha esse carinho e o tipo de retorno que recebemos quando nos reunimos ou individualmente nos encontros em shows, na rua, etc… Cara, isso me lembrou de uma parada.  Eu tinha um ou dois meses de banda – mais de uma década atrás – e recebi uma mensagem pelo Facebook que era apenas a foto de um sofá e um baixo de quatro cordas em cima. Perguntei do que se tratava e a resposta que recebi foi “cara, eu mal entendia o que era um baixo até te ver você semana passada no palco e aí está o resultado. A culpa é sua…” etc. E isso alimenta muito a gente nessa jornada. Ser inspiração para as pessoas através do trabalho, seja por meio de um destaque pessoal ou honrando um legado, é muito especial.
No cenário das bandas e cantores(as), vira e mexe, somos mencionados como influência, referência e isso vale até mesmo fora da seara do rock. Isso tudo é massa demais. 

JA: O que falta para todos os discos da carreira da banda, ficarem disponíveis nas plataformas digitais de música?

CA: Envolve as burocracias que são necessárias. Dentro do que é possível, Fábio Cascadura e Thiago Trad estão se movimentando nesse sentido. O que posso assegurar é que compreendemos a solicitação da galera quanto a disponibilização da discografia da banda nas plataformas digitais. Sabemos o quanto é importante e dentro das nossas possibilidades, estamos tentando organizar isso tudo. No perfil da banda no instagram @bandacascadura, no “link da Bio”, damos acesso free download da nossa discografia, confiram lá!

 
JA: Quais os planos futuros da banda? Há possibilidade de disco novo?

CA: Cara, estamos muito voltados para esse reencontro especial que está em curso. Entre histórias, risos e demandas de produção, muitas memórias e algumas ideias musicais que devem gerar alguma novidade, mas estamos deixando fluir, deixando a coisa correr e vendo no que dá. Em 2018 foi assim e rendeu a faixa “Todas as ondas” (disponível em todas plataformas digitais), então, pode ser que o processo atual gere alguma novidade. Não estamos pensando nisso, seguimos vivendo a coisa. Então, sem maiores expectativas, nem lá tantas certezas, apenas curtindo essa celebração dos 30 anos de carreira. Além disso, com Fábio Cascadura estando residente no Canadá, o que temos de certo é esse mês de agosto super especial e intenso que nos aguarda com a presença dele por aqui. 
O que posso dizer sobre novidade é que, após a faixa solo que lancei em 2018 ou 2019 (“3 atos”, disponível em todas as plataformas digitais), lançarei uma segunda faixa da minha carreira entre o final de agosto e início de setembro chamada “Dolores”. Sugiro que, assim como podem acompanhar as novidades da banda através do perfil @bandacascadura no Instragram, me acompanhem em @cadinhoalmeida por lá e no meu “link da Bio” há acesso para todas as minhas outras redes sociais.

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