Suricato leva temporada de Sol-te ao Imperator, no Rio de Janeiro

Suricato leva temporada de Sol-te ao Imperator, no Rio de Janeiro

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sábado, 07 maio 2016
Culturall

Por Jamari França – fotos de Luck Veloso – A banda Suricato, revelada há dois anos no Superstar, apresenta esta noite no Imperator, o show do disco Sol-te, o primeiro após receber projeção nacional. Com uma assinatura musical própria na linha de folk rock blues, a banda apresenta belas melodias e sonoridades diferentes por conta dos instrumentos tocados por Rodrigo Suricato e por Guilherme Schwab, este no potente e inusitado Didgeridoo, instrumento da tradição aborígene australiana. Nesta entrevista Rodrigo fala do direcionamento e dos planos da Suricato. Já vi o show duas vezes, é uma banda que vale a pena ver ao vivo.

– O show ainda é do primeiro disco depois que foram revelados, de 2014, até onde você vai esticar a temporada. Tem músicas novas no setlist? Você falou uma vez que as bandas não tem tempo de maturar as canções, é o que vocês estão fazendo? Bandas novas no mercado sempre lançam um disco por ano numa fase de conquista de público, você não segue este princípio.

– Nossa prioridade é fazer um DVD, pois acredito que a Suricato tem uma história visual que precisa ser contada. Como é um projeto bem ambicioso, num ano de crise, pode ser que venhamos com um EP antes de tira-gosto. Gosto de gravar discos quando se tem algo a dizer. Entendo a necessidade do mercado de consumir coisas novas o tempo todo, mas as pessoas mal escutam discos hoje em dia. Você se mata pra gravar, compor e o cara escuta só duas faixas do disco. Tenho umas 25 canções novas, mas, mesmo assim, queria esperar. Só vou entrar em estúdio com a Suricato para fazer um disco se tivermos 50 canções pra escolher 12. É minha aposta na longevidade.

Suricato - Luck Veloso

Suricado / foto de Luck Veloso

O primeiro disco, que lhe valeu um Grammy, foi folk, o segundo vai seguir a mesma linha ou sua orientação de carreira vai ser na linha AC DC, de ir aperfeiçoando a mesma direção musical, ou Radiohead, pulando de estilos e experimentando sempre.

– Gosto de experimentar dentro do mesmo estilo. Não vejo a Suricato vindo com um álbum eletrônico, por exemplo. Temos um DNA rock/pop/blues/folk que sempre estará presente independente das mudanças.

Você tem uma trajetória musical muito rica e longa, acompanhou muita gente, você fez isso em paralelo a um trabalho de banda, não tentou uma banda desde o começo, foi para se sustentar? Você já tinha composições próprias?

– Tudo que eu queria pra minha vida antes de começar a cantar e compor era acompanhar artistas. Fiz isso por muito tempo, foi muito importante pra minha formação e era meu principal sustento. Mas lutei muito pra não morrer fazendo aquilo. Essa transição do sideman para o artista vi poucos colegas conseguirem. Quando se acha a própria voz, o próprio jeito, é um caminho irreversível. Demorei muito para exercitar meu canto nos bares e minhas composições. Demorei a me sentir seguro e mostrar minhas músicas. Até hoje é assim.

Rodrigo Suricato / Luck Veloso

Rodrigo Suricato / Luck Veloso

O que você anda ouvindo ultimamente e quais são os artistas que te ajudaram a encontrar sua direção?

– Adoro um cara chamado Doyle Bramhall ll. Escuto James Blake, Jeff Buckley, Ray Lamontagne, Paralamas, Radiohead e tudo que pinta de novo. Mas meu centro gravitacional é Led Zeppelin, Beatles e Stones.

– Qual foi o momento em que você escolheu que queria ser guitarrista de rock. Muitos tem um disco que deu o click, você tem um ou vários?

– Tive o momento guitarrista e depois o momento compositor. O Van Halen I foi decisivo. Barão Vermelho ao vivo foi um dos que mais toquei junto na vida. Jimmy Page me ensinou afinações e riffs. Steve Ray me levou pro blues que eu gostava e o Clapton me levou a cantar, buscar tocar de maneira mais elegante. Acho o Clapton o melhor de todos os tempos pois sua música tem uma utilidade que vai além da comunidade roqueira. Por falar em Rock: acho o Exile on Main Street, dos Rolling Stones, o melhor disco de Rock de todos os tempos. O Wandering Spirit, álbum solo do Mick Jagger é um primor de guitarras.

Guilherme Schwab é um grande diferencial na tua banda, fala dele um pouco.

– Conheço o Gui da época em que tocávamos com o Ritchie. Pude acompanhar muito o seu crescimento e pesquisa musical, que na época estava no início. Fomos muito influenciados por blues e classic rock e somos apaixonados por instrumentos e slide guitar. Cada dia ele toca melhor e foi um parceiro fundamental para o lugar que queria levar a Suricato. Mesmo sendo sons muito específicos, como o Didgeridoo, temos a sorte dele se expressar em quase todos os instrumentos que toca dentro da mesma banda, algo que não consigo fazer pois estou cantando. É importante ressaltar também que não conheço nenhum baterista que toque no estilo do Pompeo, que o Raphael é um dos baixistas mais elegantes que toquei e que nosso percussionista Jr. Moraes levou nosso som ao vivo para um lugar que não tínhamos alcançado. Essa formação nova é muito boa.

Como funciona internamente o Suricato, o repertório é votado, entram só as músicas que todos aprovam, os arranjos são feitos em grupo ou o autor já traz a direção?

– Começamos a distribuir algumas tarefas. É mais saudável e dá menos problemas. Cuido do repertório dos shows e da direção artística da banda há sete anos. Em relação à composição eu costumo trazer as coisas mais prontas. Ainda estamos nos conhecendo, por incrível que pareça. O processo que passamos foi completamente surreal e atípico. Raphael entrou na banda já assinando o contrato com o Superstar e o Gui entrou já na audição para o programa. Escolhi a dedo as pessoas da nova formação e acertei em cheio.

Você pensa em carreira solo, se bem que que o Suricato me parece seguir o modelo Paralamas, em que você é o líder e dita o formato sonoro da banda?

– A propósito: Herbert Vianna fez solo um dos discos mais lindos de todos os tempos, chamado Santorini. Cazuza fez bem em sair e com isso ganhamos o Frejat cantando pra cacete. Eu sou um pouco promíscuo musicalmente. Gosto de tocar com todo mundo. Tenho o Jack White e o Damon Albarn como um grande exemplo. Sempre estão produzindo algo novo, vários projetos, mas com prioridades. Queria ter essa organização, mas ainda não é possível. Acho que a gente só começa a olhar para os lados quando não se sente à vontade para fluir artisticamente num lugar ou quando existem dificuldades de relacionamento, por exemplo. Montei a Suricato há sete anos com o propósito de ser um lugar onde pudesse me expressar com plenitude. Estou há dois anos com essa galera e espero do fundo do coração que a gente passe muito tempo juntos.

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