Solid Rock apresenta um crescente de emoções no Rio

Solid Rock apresenta um crescente de emoções no Rio

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sábado, 16 dezembro 2017
Culturall
Por Cleber Jr (FOTOS: Bárbara Lopes/ Divulgação T4F) – Quando um amigo, nos idos anos 1970, me apresentou o primeiro LP de rock que tive contato, minha mente estabeleceu que era aquela música que entraria pelos meus ouvidos a partir dali. O disco era o “Machine Head” do Deep Purple e esse foi o primeiro passo que dei para chegar até aqui e escrever, como um fã de carteirinha, estas mal traçadas linhas.
O pequeno festival Solid Rock reuniu ontem três bandas em uma noite de ‘roquenrol” na Arena Jeunesse, na Barra, Rio de Janeiro. Tocaram lá Tesla, Cheap Trick e Deep Purple. Depois de pouco mais de 4 horas de música, com pequenos intervalos para troca de palcos, saí de lá com a sensação de um crescente de emoções. Por etapas as coisas foram se ajustando até os velhos tímpanos sentirem-se saciados com o que, gostam de dizer hoje em dia, foi entregue.
Há de se parabenizar a produção do evento pelo cumprimento dos horários dos shows.  Eram 19:30 h, como prometido, quando a banda Tesla subiu ao palco. A pontualidade prejudicou um pouco a banda que tocou para um público reduzido, mas também deve ser considerado o fato de que a banda possui uma torcida pequena por aqui. Quem estava lá tinha a sensação de que a turma da grade era fiel, o resto era curioso.
A banda, formada em 1984, traz o vocalista Jeff Keith com forte influencia do Steve Tyler do Aerosmith no visual e trejeitos. Frank Hannon, o guitarrista, se dividiu entre violão e teremim, pouco usado, com bons solos e constante busca da participação da plateia, que incluiu o acompanhamento na guitarra do previsível “ole ole olá tesla teslaaa”. Dave Rude, guitarra, forma uma boa dupla com Hannon, principalmente nos momentos em que se juntam a frente do palco. O lado fotógrafo pensou: daria uma boa imagem esse momento. Brian Wheat no baixo e Troy Luccketta na bateria completam a banda. O show durou por volta de 40 minutos e, salvo para a sua torcida, não empolgou os curiosos que poderiam dizer que foi médio. Eu daria uma nova oportunidade ao Tesla, com mais tempo, pois num local menor a banda poderia se soltar e mostrar mais.
Depois de um pequeno intervalo, tempo para uns sandubas e papo com os amigos, foi a vez do Cheap Trick a tocar pela primeira vez no Brasil. A banda norte americana do final da década de 70 faz um pop rock que desfrutou de muito sucesso por aquelas bandas e no Japão, onde gravou o seu álbum Cheap Trick at Budokan, cujo sucesso elevou o status do Budokan como um local privilegiado para concertos de rock. A formação é Rick Nielsen, guitarra, seu filho Daxx Nielsen. bateria, Robin Zander, guitarra e voz e  Tom Petersson, baixo.
A banda apresentou um show correto com destaque para Rick Nielsen, que comanda a festa com farta distribuição de paletas, solos, riffs e uma guitarra com dois braços que é literalmente sua caricatura. A banda é farofa, a começar pelo modelito inicial de Robin Zender, que reproduz no blazer e guitarra a capa do álbum We’re All Allright!, mas dá pra curtir sem muito susto. Todos os clichês do rock pop arena estão lá e a presepada não é maior porque a idade chega para todo mundo e os saltos do guitarrista Rick Allen não alcançam mais a altura de antes. O show engrena mesmo no final quando a banda toca seus hits mais conhecidos da turma encostada na grade, que a essa altura já alcança umas cinco ou seis fileiras de interessados. A galera mais para atrás estava bem interessada mesmo numa conversa de bar com música ao vivo. Eu curti numa fase acima do Tesla.
Aí chegou a hora! Nova saída para hidratar e na volta a pista já estava cheia. A Arena já comportava um público legal e arrumadinho para o estágio principal da noite. A introdução para a principal atração da noite, o Deep Purple, reproduzia no telão a imagem do álbum In Rock  com os integrantes atuais e a erosão natural do tempo.
Ian Paice (bateria e percussão), Roger Glover (baixo), Steve Morse (guitarra) e Don Airey (órgão e teclado) são a engrenagem da usina de energia que estremece o ambiente com o clássico ‘Highway Star”, preparando o terreno para a entrada de Ian Gillan (vocal e harmônica) soltar a voz, mas… não rolou… ainda. Minha condição de fã e respeitando os longos anos de estrada me fez creditar a um problema no som que deixava sua voz baixa em relação a toda a banda. Porém, com um visual desleixado, cabelo desgrenhado como se o tivessem acordado repentinamente para o show, ajudava muito a cairmos na real e pensei: ele não vai segurar até o final…
A banda foi enfileirando clássicos sem parar enquanto Gillan saía do palco nas partes instrumentais, e como se estivesse afiando a voz, sua performance foi melhorando a cada momento e num crescente de glória, lá estava o grande vocalista em ação. O tempo passa, vamos considerar. A banda diz ser a sua despedida, mas a engrenagem está azeitada e perfeita, como sempre. Em algum momento eu me pergunto:John Lord e Ritchie Blackmore fazem falta? Foi um lapso de nostalgia, pois lá estava Don Airey sozinho no palco tirando sons incríveis do teclado e emendando um medley mpb, que incluiu “Garota de Ipanema” entre outras, e pouco depois duelando com Steve Morse, como nos bons tempos, dando tudo numa batalha que contou com o auxílio luxuoso de Glover e Paice na cozinha percussiva, onde quem terminou ganhando foi o público. 
O Grand Finale veio com “Hush” e “Black Night”, clássicas. Aliás, todas! Até as mais recentes como “Uncommon Man” e “Birds of Prey” encantam ao vivo!
  
Como disse no início desta declaração de fã, a noite foi de um crescente de emoções, mas ainda assim ficou a sensação de que poderia ter ido ainda mais alto. Quando soube desse festival, falava-se em ZZ Top e Lynyrd Skynyrd junto com Deep Purple. Foi uma pena a substituição das duas primeiras, pois se não tivesse ocorrido atingiríamos nirvana roqueiro.
  1. Set List – Deep Purple
  2. Highway Star
  3. Pictures of Home
  4. Bloodsucker
  5. Strange Kind of Woman
  6. Uncommon Man
  7. Lazy
  8. Birds of Prey
  9. Knocking at Your Back Door
  10. Keyboard Solo
  11. Perfect Strangers
  12. Hush
  13. Black Night

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