Sombrio e etéreo, Cradle of Filth faz show devastador em sua primeira vez no Rio

Sombrio e etéreo, Cradle of Filth faz show devastador em sua primeira vez no Rio

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sábado, 25 maio 2019
Culturall

Por Renan Esteves (fotos: Cléber Jr) – O Cradle of Filth é uma daquelas bandas que você não sabe em que rótulo se inclui, mas que fazem som extremo de grande qualidade. Com mais de 20 anos de carreira e 12 discos lançados, o grupo veio pela primeira vez ao Rio de Janeiro para uma apresentação memorável, onde tocou o disco “Cruelty and the Beast” (1998), terceiro da carreira, na íntegra.

O prólogo da turnê “Lustmord and Tourgasm” começa com um Dani Filth totalmente sedento e possuído, com seus característicos guturais que vemos durante todo o show. Diga-se de passagem, o cenário é pequeno e apertado, e é nesse belo sufoco que eles tiram seus coelhos da cartola com os cinco integrantes fazendo seus papeis no palco do Circo. O som apresenta pequenas falhas durante algumas faixas, porém nada que tire o brilho do espetáculo. Meu primeiro destaque vai para a voz de Lindsey Schoocraft anunciando “Cruelty Brought Three Orchids”, com Dani Filth explodindo em cada pedaço dessa canção. Aliás, a dobradinha Dani-Lindsey é o ponto alto de todo o show – claro que sem desmerecer o restante da banda. Por falar em banda, sabe aquela formação tática diferente e que surpreende o adversário? Então, algumas particularidades, como a bateria de Martin Marthus no canto esquerdo do palco ou Lindsey deslocada lá na outra ponta à direita, não fazem a menor diferença, mas o público se encanta logo de cara nas primeiras músicas, ou seja, golaço logo no começo do jogo!

Há também espaços para vários clichês que o público conhece e que pouco nos importamos, já que queremos ver tudo bem sincronizado. O careca e simpático Marek Ashok faz caretas, air guitar e ergue sua guitarra como se fosse um troféu, enquanto que Rick Shaw, com seu olhar misterioso, faz gestos de um ceifador querendo sangue. O trio formado pelos guitarristas Marek Ashok e Rick Shaw, mais o baixista Daniel Firth, fazem de tudo no palco: tem solo de baixo, de guitarra e os gritos roucos e guturais de Dani Filth enlouquecendo o público a todo instante. No segundo ato, todos a postos virados de costas para nos presentear com mais música extrema. Como já tinha dito anteriormente, mesmo com o PA apresentando algumas falhas, o Cradle of Filth segue direto ao ponto, não dando chance pra ninguém recuperar o fôlego e logo temos uma roda punk no centro da pista, mesmo que tímida e fazendo pequenos movimentos circulares, com direito até a um stage diving vindo de forma inesperada.

O epílogo de “Cruelty and the Beast”se dá com Lindsey Schoolcraft personificada da húngara Elizabeth Báthory, a “Condessa de Sangue”, que foi uma serial killer conhecida por seus crimes hediondos e cruéis cometidos entre os séculos XVI e XVII, o que deu origem a toda a trama desse álbum do Cradle of Filth. Mesmo no áudio de “Portrait of the Dead Countess”, todo um clima mágico fica no ar com a plateia esperando o próximo número. E ela vem com “Lustomord and Wargasm (The Lick of Carnivorous Winds)”, com a participação dos seis integrantes funcionando como um relógio biológico, em que cada um já sabe o que fazer. A bateria de Martin Marthus pulsa, Dani Filth surta e Lindsey faz o contraponto entre calmaria e perturbação que marca todo o show. Sabe aquele ditado que diz: “por trás de um grande homem sempre tem uma grande mulher”? Nesse caso, toda grande banda sempre tem uma grande frontwoman. Mais uma vez rasgo meus singelos elogios a performance da cantora lírica, que dita os rumos leves na hora em que precisa fazer.

Na segunda parte do show, os ingleses despejam canções de outros discos. O ritmo cai um pouco, mas volta com Dani Filth mostrando como se faz um show extremo de qualidade. Em “Malice Through the Looking Glass” ele não desiste e faz de tudo um pouco, seja pulando, indo de um canto a outro do palco ou, novamente, despejando seus gritos agudos. Dani Filth não é um cara tímido, apesar de começar a conversar com o público só antes de começar “Heartbreak and Seance” (set list completo logo abaixo). “Nymphetamine Fix”, do seu último disco “Cryptoriana – The Seductiveness of Decay” é mais um ponto encantador da noite, onde o Cradle of Filth parece ser ora uma banda de metal sinfônico, ora uma banda de metal extremo, tudo bem conduzido pelo trio Marek-Rick-Daniel. O arremate final ocorre com “Her Ghost in the Fog”, com os gritos cortantes de Dani Filth e a suavidade de Lindsey Schoolcraft. A orquestra de fundo fica por conta do baterista Martin Marthus, enclausurado numa gaiola de vidro destilando sua bateria com todo vigor. As cinco canções da parte final do show são uma outra página na apresentação, com espaço para mais magia e potência na voz de Dani. Se os headbangers preferem força à leveza, dessa vez o equilíbrio se sobressaiu numa noite para se guardar com muito carinho por parte dos seus súditos fãs.

Setlist:
Cruelty and the Beast
Once Upon Atrocity (gravação)
Thirteen Autumns and a Widow
Cruelty Brought Thee Orchids
Beneath the Howliing Stars
Venus in Fear (gravação)
Desire in Violent Overture
The Twisted Nails of Faith
Bathory Aria:
Benighted Like Usher
A Murder of Ravens in Fugue
Eyes That Witnessed Madness
Bis:
Portrait of the Dead Countess (gravação)
Lustmord and Wargasm – The Lick of Carbivorous Winds
Malice Through the Looking Glass
Heartbreak and Séance
Nymphetamine (Fix)
Saffron’s Curse
Her Ghost in the Fog

Krisiun faz show certeiro com pinta de headliner

Os gaúchos do Krisiun foram os responsáveis por abrir os trabalhos da noite do Cradle of Filth. Sempre agradecendo ao público pela oportunidade de estar tocando no Circo Voador, o vocalista Alex Camargo não deixou ninguém parado do início ao fim. Com quase 30 anos de estrada, a banda estava numa turnê europeia onde tocou em países como Alemanha, França, Suíça, Dinamarca e Holanda antes de voltar ao Brasil. O trio tocou canções como “Scourge of the Enthroned”, do seu último álbum de mesmo nome, lançado em 2018, “Slaying Steel” e até um cover de “Ace of Spades, do Motorhead, fazendo a plateia entrar no clima do prato principal. Resumindo: Krisiun fez um show de tirar o fôlego e mostrou ser uma das melhores bandas do metal nacional em atividade. O fãs terão uma nova oportunidade de vê-los no próximo dia 12 de julho, onde serão headliners da primeira edição do Festival Garage Sounds, no HUB, Rio de Janeiro.

Infelizmente, o Darktower não fez o último show da noite no Circo Voador. Com previsão pra começar às 00h45, a banda alegou problemas técnicos no ajuste do som. Os cariocas abririam a noite por volta das 20h20, mas o cronograma mudou e eles foram deslocados para depois do show do Cradle of Filth.

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