Shaman em noite nostálgica em Belo Horizonte

Shaman em noite nostálgica em Belo Horizonte

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domingo, 02 dezembro 2018
Culturall

Texto e fotos de Rogério Bezerra – Caía uma leve e constante chuva em Belo Horizonte, a capital mais heavy metal do país, e nem por isso espantou os fãs de uma das bandas ícone lá dos idos anos 2000. O Shaman iniciou sua trajetória prometendo ser a maior banda da power metal do Brasil, formada pelos ex-integrantes do Angra André Matos, Luís Mariutti e Ricardo Confessori e o promissor guitarrista, na época, Hugo Mariutti e o tecladista Fábio Ribeiro. A banda começou grande e fizeram um grande show de lançamento, com reportório ainda em fase de composição e músicas ainda em versões demo, na Via Funchal em São Paulo e transmitido via internet num sofrível streaming. Lançaram dois CDs com sucessos emplacados em todas os topos da época além de ter a música “Fairy Tale” do álbum de estreia “Ritual” como tema de novela de uma certa emissora de televisão. Onde uma banda de power metal brasileira chegaria a esse patamar em tão pouco tempo? Mas infelizmente, o Shaman teve uma vida curta e os integrantes se separaram e André Matos seguiu carreira solo com Hugo e Luís Mariutti e Fábio Ribeiro o acompanhando. Ricardo Confessori seguiu com o Shaman e lançou um novo CD, “Immortal”, com novos integrantes, mas que não emplacou como os dois álbuns anteriores.

Mas para a alegria dos fãs, após 12 anos, os pedidos foram atendidos e a banda tem seu retorno triunfal com seus integrantes originais para uma única apresentação em São Paulo. A notícia se espalhou rapidamente e assim que os ingressos foram disponibilizados acabaram em minutos, obrigando a produção a abrir uma nova data e uma segunda apresentação. Fãs do Brasil inteiro clamavam por uma turnê nacional e a banda os ouviu. Outras cidades receberiam o grande show.

Em Belo Horizonte, apesar da chuva, a casa de shows City Hall ficou pequena. Haviam fãs que estavam na fila desde as 7 horas da manhã. Após a excelente apresentação da banda de abertura Taverna, composta por Mariana Roque (vocais/percussão), Gustavo Fofão (Violão), Rômulo Salobreña (Viola/Violino), Rafael Salobreña (Bodhran, Alfaia, Derbak) e João Gabriel (Bandolin, Flautas, Gaita de Fole) que transportou o público no tempo e trouxe para a realidade o universo épico com composições de forte influência da música folk celta e medieval europeia empolgando o público molhado pela espera ao lado de fora e aquecendo a noite para a jornada que seria a apresentação a seguir.

Banda Taverna

Era chegada a hora tão esperada e as 22:30 em ponto inicia um vídeo em um imenso telão de leds ao fundo do palco que mostrava os bastidores das gravações dos dois álbuns do Shaman: Ritual e Reason. Com depoimentos de André Matos que falava o que esperava da banda no futuro, deixando a plateia arrepiada e ao fim do vídeo e introdução entrava os acordes poderosos de “Turn Away”, primeira música do segundo álbum surpreendendo o público que espera a execução de Ritual, seguindo a ordem cronológica de lançamento. E esse segundo álbum mostra mais peso e riffs poderosos de Hugo Mariutti. A felicidade dos músicos era visível em seus rostos, afinal, Belo Horizonte foi uma das últimas cidades a receber um show do Shaman antes dessa formação se desfazer, como foi dito por André Matos posteriormente.

André Matos – Shaman

Seguiam com o repertório e executavam o set de Reason na íntegra e em ordem, igual ao CD, estavam extremamente ensaiados e entrosados e a banda levava o público nas mãos. Apesar de graves problemas técnicos no som com constantes microfonias, altos e baixos nas guitarras e voz baixa, o Shaman seguia com maestria e sorrisos largos. Aos poucos os problemas foram contornados e o público seguia cantando todas as músicas emocionado. Um dos pontos alto da primeira parte foi a execução de “Innocence”, quarta música da noite, uma balada de chorar e arrepiar e assim seguia até “Born to be”, última música do álbum, que na minha opinião é a melhor, e os músicos foram saindo um a um do palco, permanecendo apenas André Matos e seu teclado, finalizando assim a primeira metade do show.

Hugo Mariutti – Shaman

E novamente era exibido no telão mais um vídeo com os bastidores das gravações e novos depoimentos nos preparando a final e derradeira parte, veríamos o álbum de estreia “Ritual” tocado na íntegra e então é chegada a hora. Inicia-se “Ancient Winds”, música de introdução que foi abafado por gritos ensurdecedores da plateia. Voltam os músicos e começa “Here I am”, seguido quase que sem interrupção por “Distant Thunder” e “For Tomorrow” onde André Matos tocou a introdução na flauta andina junto com o público cantando “oh, oh, oh” e o show se tornou uma epifania. Um misto de emoções tomou conta, era possível ver pessoas chorando, cantando, pulando, se abraçando. Mas a hora derradeira, de lágrimas incontroláveis (inclusive as minhas), estava por vir: “Fairy Tale”, hino máximo da banda, primeiro vídeo clipe, tema de novela e de corações apaixonados iniciava-se. Os vocais foram abafados por vozes de todas as idades, numa grande confraternização, naquele lugar, todos eram uma única voz, banda e público.

Luis Mariutti – Shaman

Depois de passada toda a emoção, André falou sobre Marcus Viana, músico mineiro, que tanto os ajudou na composição e produção dos dois álbuns e que sem ele, o Shaman não teria chegado onde chegou. Revelou que o músico teria sido convidado para se apresentar em BH, mas não pode por estar no Rio (!!!)(Spoilers alert!!!) e fez uma promessa de voltar a capital mineira com a presença do mestre Marcus Viana no próximo (será que vem coisa nova aí?).

O Shaman marcou minha vida em muitos momentos, esse show foi um sonho realizado depois de muitos anos, os acompanho desde o início. Eu poderia escrever um livro aqui para vocês, mas prefiro encerrar por aqui, como a banda encerrou seu show apoteótico com “Pride”, deixando BH na saudade e na esperança de um futuro em que teremos material inédito da banda para deleite dos fãs.

Shaman

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