Rhapsody solta os dragões no Rio

Rhapsody solta os dragões no Rio

3
355
0
domingo, 07 maio 2017
Culturall

Rhapsody Mima Rodrigues 8

O Rhapsody demorou mais de 20 anos para tocar no Rio – o original mesmo e não aquele do fanfarrão guitarrista Luca Turilli – e esta primeira vez foi justamente para comemorar as duas décadas de seu álbum mais emblemático, o “Symphony of Enchanted Lands”. O set list teria o disco na íntegra e mais alguns clássicos, praticamente jogo ganho. Até que às 22h em ponto as luzes se apagaram e entrou a introdução “Epicus Furor”, que abre o “Symphony…”. Ao final da intro, a banda apareceu e já nos primeiros acordes alguma coisa dava errado. Uma falha aqui, uma guitarra que não se ouvia ali, integrantes sem graça, luzes se apagando… o que fazer? Parar e voltar tudo! Sim, a banda saiu do palco (aplaudida, diga-se de passagem) e recomeçou do zero. Novamente o playback de “Epicus Furor” e, aí sim, “Emeral Sword”. Deu até pra pensar que seria um fiasco, mas foi longe disso. Os caras tocaram com sangue nos olhos e todo mundo saiu feliz.

Foi logo nesta mesma “Emeral Sword” que o grupo ganhou o público. Provavelmente o maior clássico da história do Rhapsody, que costumava ser usado no encerramento das apresentações, a música é dona de um dos refrões mais marcantes do metal e fez com que surgisse na mesma hora o coro emocionado dos fãs em meio a algumas espadas que apareciam do nada na multidão. Apesar de não ter lotado (foram usados os velhos panos pretos na parede), quem estava lá não teve do que reclamar. O set seguia na ordem do disco: vieram “Wisdom of the Kings”, “Eternal Glory” e “Beyond the Gates of Infinity”, até que eles deram uma quebrada na ordem e resolvem encaixar “Knightrider of Doom”, de outro álbum, o “Power of the Dragon Flame”. Uma estratégia meio “sem noção” cortar a ordem do disco homenageado, mas como é uma porrada sonora, tá valendo. Em seguida, de volta a programação normal, a balada “Wings of Destiny”, que está sendo tocada pela primeira vez nesta turnê, “The Dark Tower of Abyss” com seu belíssimo solo, “Riding the Winds of Eternity” e a épica faixa título de mais de dez minutos, com a galera cantando em uníssono em um espetáculo a parte. Só perdia mesmo para o vocalista Fábio Lione, que sem dúvida é o maior destaque disso tudo. Como esse cara canta!

 

Rhapsody Mima Rodrigues 1

Foto: Mima Rodrigues

 

Com o “Symphony of Enchanted Lands” encerrado, era hora das surpresas da noite. Pra começar, um desnecessário solo do baterista Alex Holzwarth. Pouco depois ainda teve um do baixista Patrice Guers. Em outro momento, Lione também brincou com os presentes cantarolando e pedindo pra galera repetir, no melhor estilo Freddie Mercury. E de som mesmo, o que deu tempo pra incluir foi “Land of Immortals”, do primeiro álbum, “The Wizard’s Last Rhymes”, do “From Chaos to Eternity”, e “Dawn of Victory”, do trabalho homônimo. Esta última também foi cantada pelo público já na escuridão da espera por um bis. De arrepiar!

 

Foto: Mima Rodrigues

Foto: Mima Rodrigues

 

Lione, que vem aprendendo cada vez mais o português graças ao Angra, avisou que “se vocês cantar bastante bom, a gente continua” (sic). E ele cumpriu a promessa. Foi a vez de “Rain of a Thousand Flames”, do EP de mesmo nome, e do ponto alto da noite: “Lamento Eroico”, a primeira gravada com letra em italiano, idioma original dos caras, que conta com uma incrível performance de Fábio Lione, principalmente em seu refrão operístico. Foi a hora dos fãs procurarem o lencinho de papel nos bolsos e dar aquela disfarçada no choro. Pra encerrar, outra porrada: “Holy Thunderforce”, que abriu algumas rodas e deixou todo mundo com sede de um segundo bis, o que infelizmente não rolou.

Após esta turnê, é provável que o grupo se separe ou que Luca Turilli siga com seus clones de Rhapsody, que estão longe do que vimos hoje. Portanto, quem não viu, não deve ver mais. E se você ainda tem chance de assistir e está em dúvida, apenas vá! Que reuniões como esta aconteçam mais vezes.

Set list:

Epicus Furor (Preceded by intro speech)
Emerald Sword
Wisdom of the Kings
Eternal Glory
Beyond the Gates of Infinity
Knightrider of Doom
Wings of Destiny
The Dark Tower of Abyss
Riding the Winds of Eternity
Symphony of Enchanted Lands
Drum Solo (By Alex Holzwarth)
Land of Immortals
The Wizard’s Last Rhymes
Bass Solo (By Patrice Guers)
Dawn of Victory

Bis:
Rain of a Thousand Flames
Lamento Eroico
Holy Thunderforce
In Tenebris (Finale)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *