Projeto Vitrine dá novo gás à cena rock do Rio de Janeiro

Projeto Vitrine dá novo gás à cena rock do Rio de Janeiro

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sexta-feira, 25 maio 2018
Culturall

Por Nem Queiroz – Fotos e textos – Uma  excelente noite de rock! Assim posso descrever a experiencia de presenciar o Projeto Vitrine, na UERJ, Rio de Janeiro. Nada estridente ou coisa que o valha para sustentar ou justificar o rótulo; é que o rock que rolou lá era outro! Som limpo, harmonia presente, palco impecável, bandas idem. Foi assim que se materializou a primeira noite da volta do projeto “VITRINE” na UERJ, criado em 2009. Essa nova versão chega em boa hora, onde bandas cariocas penam para ter onde tocar, e com um detalhe bem expressivo, com direito a camarim, comes e bebes e um palco daqueles, que há muito não se via!

Nesta primeira edição de 2018 as bandas foram: Casavera, Sid and The Bad Virgins, Dub Club Band e a queridinha da galera, Biltre. O Público aliás, infelizmente, não foi dos melhores, ocupando apenas 20 ou 30% das cadeiras do amplo e belo Teatro Odylo Costa Filho.
Com line-ups bem filtrados, cada banda dispunha de apenas meia hora para se apresentar, Biltre -headliner- uma hora. A Casavera foi a primeira a dar o ar da graça. Um trio formado pelo amigo Evandro Vital (guitarra/voz); Igor Flor (baixo) e Davi Rodrigues (Bateria), a banda nos trouxe um pop bem tocado com maestria e nenhuma estripulia, costumo dizer que a Casavera é, assumidamente, uma das melhores bandas pop/rock do cenário. Com guitarra simples e limpa e um auxílio quase jazzístico dos companheiros do baixo e batera, a gente ouve com prazer. A postura modesta, educada e inteligente do seu frontman, delega à banda a moderada força que uma banda como ela precisa. Digo moderada pelo simples detalhe: Quem é, não precisa fazer força! E a Casavera tem canções que estão prontas para decolar, tipo “Instinto Sentimental” com o refrão-chiclete (“Mas eu te quero bem!/apesar de suas ideias loucas/ Eu te quero bem!”) na minha cabeça até agora! Destaque também para a versão de “Enquanto engomo a calça” do grande Ednardo e uma nova surpreendente versão para “O Sol nascerá” do grande Cartola (lindíssima). Casavera é isso! Suave, honesta, Impecável!

Em seguida outra boa surpresa, a banda Sid and the bad Virgins, com repertório todo em inglês, salvo a brasileiríssima e Titânica “Lugar Nenhum“, a banda ainda nos reservou uma ótima execução de “Unbelievable” da banda EMF. Destaque para “It ain’t no love (It is cocaine)” canção de autoria de seu ótimo frontman Sid Mazzei, que nos contara que todas essas canções estavam num baú, e que ele resolveu só agora “botar pra jogo”! Mexa mais nesse baú, meu filho! O rock agradece! Teve ainda “Big Bang baby” da banda Stone Temples Pilot, mas nem precisava! Valeu!


Entre uma banda e outra, outra grata surpresa da noite, o DJ Marco Sá incrementava o curto espaço de tempo que tinha com versões brasileiras, em dubs e semi-eletrônicos, de gente como Jorge Benjor, Gilberto Gil e Nação Zumbi, entre outros, bem legal!
A terceira atração foram os meninos da banda Dub Club Band, que nos resgatou o prazer de ouvir um bom reggae, com direito a sax e tudo. Confesso que fiquei desconfiado, afinal acabara de presenciar dois bons shows de pop/rock e enveredar pelo reggae talvez não funcionasse. Ledo engano! Aos poucos, soando meio pouporri , a banda foi decolando, emendando uma música na outra, de “Praieira” a “I shot the sheriff” com outras autorais, nos fez manter o prazer da boa música em alto nível, passando muito diretamente pela empatia e simpatia do seu vocalista! Outra boa e grata surpresa! Viva o reggae! Sim!

Então chegava a grande hora! A aguardada Biltre fez a platéia descer para a borda do palco, mesmo antes do início do show.
Eu a conhecia pela badaladíssima canção “do Led” (Pissaicou), aquela que diz que eles gostariam mesmo era de ser o Radiohead! Impagável! O que mais poderiam fazer para superar tão sing-song-single-singular-cancão!? (aqui tentando ser criativo como eles! Esquece!) Os caras são demais! Simplesmente isso! A começar pelos trajes, meio carnavalescos, eu diria, e bem despojado decerto, todos da banda se revesavam (e se revelavam) entre instrumentos e microfones! E a cada música eu entendia melhor o seu sucesso! A plateia, uníssona, cantava junto! Entre risos e sorrisos, o show guinava a cada acorde, a cada expressão de um de seus vocalistas, o mais “engraçado” e espirituoso, o ruivo ‘barbudin’ que de tanta empatia e descontração, sem estripulias, é bom que se diga, puxava pra si, as mais doces e prazerosas atenções! Ele dançava, assim como todos; se contorcia, como ninguém, e dava mais vida ainda as canções que falavam e brincavam por si e com a gente! Falo mais dele, porque de fato é a alma, mas todos são ótimos, todos mesmo! A turma tem uma sintonia, para tanta gente no palco, eram seis, oito, sei lá! Era um carnaval!

Era uma doidice tão impecável e sarcástica que me perdoe o entusiasmo! Pensei no Mamonas Assassinas, mas era mais! Igualmente escrachados, mas muito mais inteligentes! Canções como a que abriu o show “Nosso amor foi um GIF” parceria da banda com Gregório Duvivier; “Superficial” que consegue meio que satirizar a grande Legião Urbana, dizendo que eles adoram seus pais, e que mais ainda, pretendem permanecer morando com eles, e que se assumem “superficiais” por que não!? É de lascar! E outra impagável “Piranha”! Só vendo pra crer!

Com chave de ouro, a noite foi impecável, impagável, única! Valeu a saída! E muito! Salve o Biltre!Recomendadíssimo! Recomendadíssimo que nada! Todos já sabem! Eu é que não! Muito, muito bom! Parabéns a organização! Nota mil! Que venha o próximo!
Vida longa ao VITRINE!

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