Pearl Jam no Maracanã: O que esperar?

Pearl Jam no Maracanã: O que esperar?

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sexta-feira, 09 março 2018
Culturall

Por Jorge Felipe Coelho – No próximo dia 21, o Pearl Jam subirá ao palco do Maracanã, pela segunda vez, em sua quarta passagem pela cidade maravilhosa. Dessa vez, será acompanhado pelo ótimo duo Royal Blood, que fará a abertura da noite com seu stoner rock, esquentando o público para o show principal. Mas, afinal, o que esperar dessa nova apresentação da icônica banda de Seattle? Para tentar responder a esta pergunta, é necessário, primeiramente, fazer uma correlação entre a história e o momento atual da banda.

A morte de Andrew Wood e o fim da promissora banda Mother Love Bone – do guitarrista Stone Gossard e do baixista Jeff Ament – serviu como uma espécie de semente que deu origem ao Pearl Jam. O grupo invadiu as rádios de todo mundo no início dos anos 90, com o mega hit “Alive”, no momento em que o grunge de Seattle dominava as paradas com Nirvana, Soundgarden, Alice in Chains e vários outros grupos. Ainda que tenha nascido para o grande público sob a égide do contestado rótulo atribuído aos grupos locais, na época, já era possível notar o som da banda menos sujo e com mais influências de hard rock e rock clássico setentista que os demais (o que foi inicialmente criticado por Kurt Cobain). Essa característica os aproximavam bastante de outros públicos e possibilidades artísticas.

Desde sempre, a história da banda mostra fortalecimento após momentos conturbados de atrito e dor. Foi assim quando se recusaram a produzir videoclipes por imposição midiática, quando se engajaram em um boicote contra a gigante americana dos ingressos Ticketmaster, e também quando superaram o fatídico episódio do Festival Roskilde, que vitimou 9 pessoas durante uma apresentação da banda.  Após cada um desses ocorridos, o Pearl Jam sempre virou o jogo e ressurgiu das cinzas ainda mais forte para seu público, honrando o DNA presente em suas origens.

Trazendo na bagagem, agora, quase 30 anos de carreira consagrada, algumas experimentações na discografia e incontáveis hits, o mundo continua a dar voltas e a pregar peças na banda. Coube exatamente ao Pearl Jam, a “ovelha negra” da família grunge, a alcunha de ser o porta-voz dessa geração adorada de bandas noventistas, visto que as maiores e mais famosas foram extintas após a morte trágica de seus frontmans. Kurt Cobain, Layne Staley, e, mais recentemente, Chris Cornell, um a um foram saindo de cena e deixando um grande peso de responsabilidade não apenas sobre o Pearl Jam, mas, principalmente, sobre seu líder, Eddie Vedder.

Hoje, todos os integrantes da banda dividem atenção entre as turnês com o Pearl Jam e seus projetos paralelos. Há anos Vedder tem alto destaque individual em turnês solo com ingressos esgotados, apresentações em cerimônias de Oscar, premiações em Globo de Ouro, parcerias com outros artistas etc. O que tem jogado o holofote, aqui no Brasil, em uma safra de fãs e covers bastante inspirados no trabalho e, principalmente, no visual do músico. Cabe lembrar que nos últimos 11 anos, desde que o álbum “Into de Wild”, em 2007, alavancou a carreira solo do vocalista, a banda mostrou apenas dois trabalhos inteiros de músicas inéditas: Backspacer, de 2009, e Lightning Bolt, de 2013. Ambos com menor duração em tempo total que os antecessores.

O ano de 2017 foi marcado pelas férias das atividades da banda, sua condecoração definitiva no Hall da Fama do Rock n’ Roll, e pela perda do velho amigo Chris Cornell. Por ser intimamente ligado ao nascimento do Pearl Jam, Cornell era quase como um integrante da banda, mesmo estando fora dela. Sua morte, em especial, certamente mexeu com o lado emotivo dos músicos novamente. O polêmico silêncio e o não comparecimento de Vedder ao funeral ainda ecoam entre os fãs. Como não se apresentam ao vivo desde os shows no Wrigley Field de Chicago, em 2016, ainda não se sabe como reagiram internamente ou como tudo o que passaram ultimamente poderá influenciar em sua volta às atividades em 2018.

É sabido que o Pearl Jam dá tudo de si ao vivo. Considerado um dos melhores shows do mundo do rock, as apresentações podem chegar a três horas de duração e os setlists, altamente variantes, chegam a ter trinta e poucas músicas. Nas três passagens anteriores pelo Rio (2005, 2011 e 2015), a banda tocou 60 músicas diferentes, segundo o site http://www.livefootsteps.org. Dessa vez, no Maracanã, “Alive”, “Even Flow”, “Black” e “Jeremy”, hits do cultuado álbum de estreia “Ten”, não devem faltar. O resto é indecifrável, como deve ser, seguindo suas tradições de espontaneidade e entrega.

Diante dos aspectos levantados, não podemos duvidar que a competência da banda e a convergência entre seu histórico e o atual momento produzam, como efeito, um novo ressurgimento das cinzas em sua carreira singular. Em períodos assim, o Pearl Jam pode e sabe, como poucos, pegar os limões e fazer uma bela limonada outra vez. É o que todos os fãs cariocas esperam, já que o Rio de Janeiro foi um dos locais escolhidos, nessa turnê sul americana de 2018, para testemunhar o aguardado reencontro da banda com seu público.

SERVIÇO

Data: Quarta-feira, 21 de março de 2018
Local: Rua Professor Eurico Rabelo – Maracanã, Rio de Janeiro – RJ
Abertura dos portões: 16h
Horário Royal Blood: 19h30
Horário Pearl Jam: 21h
Capacidade: 65.620 pessoas
Ingressos: a partir de R$ 110 (ver tabela completa)

Classificação etária: De 10 a 13 anos é permitida a entrada acompanhado de um responsável. A partir de 14 anos é permitida a entrada desacompanhado.

– Meia-entrada: obrigatória a apresentação do documento previsto em lei que comprove a condição de beneficiário: no ato da compra e entrada do evento (para compras na bilheteria oficial e pontos de venda físicos) / na entrada do evento (para compras via internet).

BILHETERIA OFICIAL – SEM TAXA DE CONVENIÊNCIA
Km de Vantagens Hall RJ: Segundas -feiras: Fechada
Terças-feiras a sábados, das 12h às 20h
Domingos e feriados, das 13h às 20h
Av. Ayrton Senna, 3000 – Shopping Via Parque – Barra da Tijuca.
LOCAIS DE VENDA – COM TAXA DE CONVENIÊNCIA
Pela Internet: www.ticketsforfun.com.br
Taxas de conveniência e de retirada.
Pontos de venda no link: http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=pdv

 

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One Comment

  1. Marcelo Dantas says:

    Acho legal essa particularidade deles de sair em turnê sem o set list definido. A cada show o público conta com o fator surpresa. Deve ser um showzaço,como foram os anteriores.

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