O impeachment do rock

O impeachment do rock

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segunda-feira, 18 abril 2016
Culturall

Por Luck Veloso e André Luiz Costa – O dia 17 de abril de 2016, um lindo domingo de sol, teve um Brasil completamente apreensivo sobre o que poderia acontecer com o futuro do país. Todos apostando no possível impeachment da presidente Dilma Housseff, que aparentemente ocorrerá e na dúvida sobre o que está por vir. Muito antes da presidente ser deposta, algo no país já havia sofrido enorme baixa. O rock nacional.

O chamado Rock BR teve o auge da sua atividade contestativa nos anos 80, quando o país ainda vivia os duros tempos de uma ditadura que alguns desavisados teimam em defender até hoje. Naquele tempo, podíamos ouvir letras de protesto, vindas de grupos oriundos inclusive de onde estava o próprio poder, Brasília, a capital do país e o centro das atenções deste fatídico e histórico domingo.

Legião Urbana

Legião Urbana

Grupos como Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Detrito Federal, Inocentes (SP) e muitos outros, despejavam poesia raivosa pelos alto falantes das festas e a juventude daquela época costumava se reunir para discutir sobre política e inclusive religião. Havia uma aura de mudança no ar, que culminou com o movimento Diretas Já, cuja proposta, como o próprio nome já diz, era a de trazer eleições presidenciais diretas no Brasil.

Lá fora, inúmeras bandas davam o seu recado através de letras e melodias. Grupos como Rage Against The Machine, The Clash, Refused, New Model Army, The Sex Pistols, Gang of four,Manic Street Preachers (esse mais recente) e é claro, o Pearl Jam, este tendo em Eddie Vedder um verdadeiro líder anti mainstream, apesar da banda ser conhecida mundialmente.

Se você pesquisar mais a fundo, caso não tenha vivido todo esse processo, verá que durante todos os acontecimentos, o rock (e a música em geral) teve papel fundamental na enorme mudança que tivemos em termos políticos ao longo das duas décadas seguintes. Durante os anos 90, com o furacão Collor a nos assombrar novamente, outra chuva criativa e de protesto veio com nomes como Raimundos, no CD Lapadas do Povo, o Planet Hemp, trazendo à tona a discussão sobre a legalização da maconha e tivemos ainda, Chico Science com o revolucionário Mangue Beat. O Rappa também representa um excelente momento da composição de protesto nacional. Houve ainda os Mamonas Assassinas, que utilizavam o humor para, em meio a letras ácidas, espetar temas políticos.

Hoje presenciamos, a meu ver, o verdadeiro impeachment do rock. Não que as bandas não estejam se esforçando ou produzindo. Podemos falar, pois recebemos semanalmente muitas demos, links, mp3 e cds de bandas que aspiram um lugar ao sol no minguado mercado nacional.

O que ocorreu é que não há união e sem união, nada acontece, diferente do que vemos no movimento sertanejo por exemplo, onde vários grupos se unem em prol do segmento, um divulgando o outro.

Precisamos de um movimento coeso, de uma hashtag física e não somente virtual. Precisamos de uma reforma musical. Se clamamos por uma reforma nas leis, a meu ver, a música precisa tanto quanto os itens que regem o país. Afinal, quase todos ouvimos música e ela tem sim um papel fundamental na vida do ser humano, sendo capaz de te dar ânimo ou de te manter na cama chorando.

Pensemos nisso e vamos partir para a luta, mas utilizando como ferramenta, apenas pensamentos, palavras e ações positivas, que nos resgatem desse mar de ´prepara´ e ´tá tranquilo, tá favorável´ que se afundou a música popular brasileira dos últimos tempos. Vamos eleger a qualidade musical e colocá-la novamente no foco da discussão. Excelente semana!

Clique aqui e assista também ao vídeo sobre esta matéria – O Impeachment e a música

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One Comment

  1. Ediene Baldam says:

    Meninos queridos na verdade o som que era feito na década de 80 ainda cabe direitinho na realidade atual.
    Acho que não nos desenvolvemos no decorrer destes 30 e poucos anos, apenas nos segregamos ainda mais e por isso não é possível melhorar! Cada veZ mais vejo que temos ótimos atores e atrizes nesse país e o que vale é salvar a própria conta corrente seja aqui ou na Suíça.

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