O Carnaroque das Gerais

O Carnaroque das Gerais

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quinta-feira, 18 fevereiro 2016
Culturall

Por Rogério Bezerra – Produtor do Faixa Nova

Agora que o carnaval passou, o ano de fato se inicia. Para quem é de carnaval, curtiu todos os dias de festa, foi nos blocos de rua, bebeu, fez churrasco e participou de todas as zoeiras possíveis. Agora pergunto, e para quem não é de carnaval? Esse aí curte um seriado, dorme cedo e descansa. Eu sou o segundo cara. Porém, a prefeitura da minha cidade me contratou para fotografar cinco dias de folia, mas espera aí! Cinco dias? Isso mesmo amiguinho, cinco dias. A festa começou na sexta-feira, porque o carnaval tinha que ser o melhor da região! E foi! Segundo relatos de pessoas de outras cidades.

Vejam, não sou completo avesso ao carnaval, pelo contrário, eu tolero e até gosto de dançar umas marchinhas, mas e quando a festa deixou ter marchinhas e a febre é o tal do arrocha do “Wesley Safadão” ou a fatídica metralhadora da “Vingadora”? Ou pior, o funk carioca que invadia os intervalos entre as atrações? Eu precisava mostrar minha “roqueirisse” em meio a esse caos, então adotei um estilo para chamar atenção do tipo: olha, estou aqui no povão, fotografando um monte de gente que não conheço e um monte de banda que toca arrocha, axé, forró e até funk, mas não curto isso não tá! Decidi que todos os dias de folia, eu sairia com uma camisa de uma banda independente, que faz o corre, sem gravadoras, e até sem apoio dos próprios fãs! Já ví muito nego aí que não paga 10 contos pra ver a banda do amigo tocar, mas paga 250 paus pra gringo! É fogo… por isso eu fiz essa singela homenagem e “criei” o “carnaroque”.

No primeiro dia, escolhi uma banda de conterrâneos (sou mineiro), logo de cara coloquei a camisa do Hagbard, banda de folkmetal de Juiz de Fora. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo num evento de bandas independentes na cidade de Ervália/MG (onde inclusive adquiri a camisa e um CD) e o som dos caras ao vivo, é fiel ao que se escuta no CD, vale a pena conferir.

No segundo dia, escolhi a camisa do Pagan Throne e seu Black metal pagão, afinal o carnaval é pagão, certo? A banda é do Rio de Janeiro, já conhecia o trabalho deles através das redes sociais, ainda não havia visto ao vivo. No mesmo evento em que vi o Hagbard, eles também tocaram. Ao vivo, os caras passam um climão de caos após uma batalha sangrenta entre clãs. Coisa de doido, e a camisa eu também adquiri nesse evento.

Uma vez me disseram que o carnaval é coisa do diabo, que ele saía mascarado entre os foliões, eu era criança, aí imagine eu, molequinho, procurando o demo mascarado no meio do povo! Quando me lembrei dessa história, tive a ideia! Vou sair com a camisa da Diabo Verde, banda de hardcore do Rio de Janeiro. Os caras são meus amigos e já vi um tanto de show deles. Ah, detalhe, a camisa é do meu filho, tal como o CD também.

Carnaval é mistura de ritmos, de samba, de batucada, de tambores e tal, por esse motivo, escolhi a camisa da Tamuya Thrash Tribe, banda do Rio de Janeiro que fala sobre história do Brasil na época da colonização portuguesa onde tribos indígenas lutaram contra os portugueses. Já pensaram? Uma banda que conta a história do Brasil, sobre Zumbi dos Palmares, sobre genocídio de índios pelos colonizadores e outras coisas podres que aconteceram na época. Procurem saber mais sobre essa banda, garanto que vão gostar!

Último dia de carnarock!! E a última camisa foi mais doque especial. Por considerar demais as pessoas dessa banda! A camisa foi da Join The Dance de São Gonçalo/RJ para fechar com chave de ouro! Banda de hardcore com um vocal feminino rasgado e afiado. A banda está em hiato, mas tá rolando uma campanha do tipo “volta Join the Dance”! Claro que estou junto nessa, né?

E assim se passaram os cincos dias de folia aqui na minha cidade, cumpri meu contrato com a prefeitura, registrei todos os shows e as pessoas que acompanharam a festa e sem perder minha identidade roqueira (ainda bem que não sou daqueles puritanos mimizentos) e até me arrisquei na tal da metralhadora depois de umas doses de Jack Daniel´s.

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