Matanza Fest: demolidor!

Matanza Fest: demolidor!

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domingo, 16 julho 2017
Culturall

Clemente, do Inocentes, com a caneca da Cult

 

Foto: Nem Queiroz

Por André Luiz Costa – V6, Interceptor V6! Foi assim que Jimmy London abriu e fechou a apresentação do Matanza no festival que leva o nome da banda, ontem (15/7) no Circo Voador. Como de costume, centenas de diabas e bebuns lotaram a lona da Lapa para conferir o show dos anfitriões e dos convidados não menos importantes: Inocentes, DFC e um clássico do underground carioca, Cabeça. Foi mais uma noite daquelas em que tudo deu certo, com a galera dando aquele show a parte nas rodas que se abriam a todo momento na pista. Nos intervalos, ainda rolou um set com a DJ Priscila Dau, que tocou de Depeche Mode a Pantera.

Por ser um Matanza Fest, o guitarrista Donida também subiu ao palco. Pra quem (ainda) não sabe, ele não costuma viajar com os caras e participa apenas das gravações. O músico, além de fundador (ao lado de Jimmy), é o grande responsável por toda a obra, incluindo letras, arranjos, capas, etc. Não é necessário dizer que os fãs ficam igual pinto no lixo quando ele aparece, não é? E com razão, pois é clara a boa sintonia dele com Maurício Nogueira. Falando em sintonia, a cozinha dispensa comentários com o peso das baquetas de Jonas e a empolgação de Dony, este o mais novo do grupo (na formação e na idade). O cara traz uma energia invejável. Pria completar: o vocalista ogro regia a galera e abusava de dancinhas bizarras.

No repertório, foram poupadas algumas músicas do último disco, “Pior Cenário Possível”, mas as melhores estavam lá, como a sinistra “Matadouro 18” e “O Que Está Feito Está Feito”. Por ser uma noite comemorativa, rolou aquela maratona de clássicos no melhor estilo “ramônico”, um atrás do outro, com poucas pausas para o zoeiro Jimmy mandar o clássico “Puta que Pariu, Circo Voador!” e contar uma ou outra historinha antes de anunciar alguma canção! Logo no início, pérolas do “Santa Madre Cassino”, incluindo, entre outras, a faixa título, “Rio de Whisky”, “Taberneira Traga o Gim”, e mais pra frente o lado B “Mais Um Dia Por Aqui” e as “românticas” “Mesa de Saloon” e “Quanto Mais Feio”.

A coisa só foi dar uma esfriada lá perto do final, com “Mulher Diabo”, que é boa, mas não tem a mesma pegada das outras. Foi ela que abriu a sequência de “hits” até chegarmos ao hino “Ela Roubou Meu Caminhão”, seguido do refrão de “Estamos Todos Bêbados” e o finalzinho de “Interceptor V6”. Tudo isso em pouco mais de 1h30. Na saída todos deixavam a lona ao som de “Enjoy Yourself, It’s Later Than You Think”, com Guy Lombardo (clique para ouvir). Bom tema para um fim de festa (no bom sentido). Aliás, a festa foi de aniversário também, já que rolou até parabéns pro Maurício.

Antes de Jimmy e sua trupe, às 22h em ponto (todos foram pontuais, diga-se de passagem), o Cabeça mostrou a que veio, mesmo com poucos presentes. A banda, que ficou conhecida nos anos 90, não trouxe músicas novas, mas ressuscitou bons sons da época como “Quem Não Cola Não Sai da Escola”.  Já a também noventista DFC, conseguiu reunir mais gente próxima ao palco e transformou o Circo numa imensa roda com “Molecada 666”, “Pau no Cu do Capitalismo em Posições Obscenas” e “Cidade de Merda”, em “homenagem” a Brasília.

Porém, o bicho começou a pegar mesmo quando os Inocentes chegaram. Provavelmente teve gente que foi lá só pra ver os caras. Com a casa cheia e um som perfeito, Clemente (vocal e guitarra), Ronaldo Passos (guitarra), Nonô (bateria) e Anselmo Guarde (baixo) tocaram clássicos como “Pânico em SP”, “Resto de Nada” (primeira composição de Clemente, na época para a banda de mesmo nome) e “Pátria Amada”. Nesta última, Clemente e Anselmo se chocaram no meio da dança, fazendo com que o baixista caísse no chão, então a música seguiu com mais risadas do que a letra cantada. Rolaram também os covers “São Paulo”, da banda 365,  e o ápice com “Franzino Costela”, do grupo carioca Sex Noise, contando com a participação do próprio vocalista, Larry Antha. Foi aquele momento que até quem estava lá fora resolveu entrar pra conferir o que estava rolando. Uma aula de história para os mais novos presentes. Bom lembrar que os caras estavam em casa, afinal, o Circo foi o primeiro palco que essa galera pisou nos anos 80.

A noite era do Matanza, mas o que vimos foi uma verdadeira celebração ao underground nacional. Bandas de qualidade, peso, lendas vivas e um público que compareceu em peso (só podiam ter chegado mais cedo). E a banda principal parece que curtiu a ideia do punk de São Paulo no line up, já que depois do Cólera, em 2016, desta vez tivemos o Inocentes. Seria bem legal se seguissem essa linha. Nomes não faltam.

OBS: Fique ligado aqui na Cult, porque em breve vai rolar entrevista com Matanza no AndiON Stage com Andrea Andion.

 

Set list Inocentes:

01- Miséria e Fome
02- Garotos do Subúrbio
03- Salvem El Salvador
04- Desequilíbrio
05- Medo de Morrer
06- 4 Segundos
07- Rotina
08- Expresso Oriente
09- São Paulo
10- Aprendi a Odiar
11- Ele Disse Não
12- Intolerância
13- Resto de Nada
14- Cala a Boca
15- Não Acorde a Cidade
16- Franzino Costela
17- Pânico Em SP
18- Pátria Amada

 

Set list Matanza:

01- Introdução
02- Interceptor V-6
03- Santa Madre Cassino
04- Rio de Whisky
05- Conforme Disseram as Vozes
06- Bom é Quando Faz Mal
07- O Chamado Do Bar
08- Taberneira, Traga o Gim
09- Tudo Errado
10- O Que Está Feito, Está Feito/Eu Não Bebo Mais
11- Eu Não Gosto de Ninguém
12- Todo Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head
13- Quanto mais Feio
14- Clube dos Canalhas
15- Odiosa Natureza Humana
16- Tempo Ruim
17- Matadouro 18
18- Contrycore Funeral
19- Remédios Demais
20- Mesa de Saloon
21- Ressaca Sem Fim
22- Santânico
23- Carvão, Enxofre e Salitre
24- Five Feet High
25- Maldito Hippie Sujo
26- Remédios Demais
27- O Último Bar
28- Ela Não Me Perdoou
29- Mulher Diabo
30- Sabendo Que Eu Posso Morrer
31- Pé na Porta, Soco na Cara
32- Mais Um Dia Por Aqui
33- Meio Psicopata
34- A Arte Do Insulto
35- Ela Roubou Meu Caminhão
36- Estamos Todos Bêbados
37- Interceptor V-6

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