Marina ovacionada

Marina ovacionada

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domingo, 06 Maio 2018
Culturall

Por Nem Queiroz (texto e fotos)  – Era uma práxis, a noite seria facilmente estilosa. Basta dizer que o DJ da noite era o grande José Roberto Mahr! Noite estilosa, com gente fina e elegante. Era só aguardar a rainha chegar.

A sensação era de que havia muito carinho e muita saudade de ambas as partes, cantora e público, numa catarse coletiva que desde a primeira música até a última, com mais de duas horas de duração, não descansaram um só segundo, comprovando a força das canções.

Como viria Marina Lima? Todos sabiam da sua voz machucada, debilitada, devido a um mal sofrido na garganta, submetido à cirurgia e tudo, que embora ela esteja se recuperando, bem, deixava uma certa aflição, porque todos torcem, de coração, por ela!

Mais uma vez, o anfitrião da casa (devidamente lotada), Lencinho, fez as honras e anunciou: Marina Lima!!! As luzes se apagaram, a euforia foi instantânea, e de repente “dummm!”, explodiu nas caixas de som o primeiro acorde da canção “Acontecimentos” e a galera foi ao delírio! Mas não era ela ainda, quer dizer, não ao vivo, era só a mídia (o disco), mas foi tão forte e emocionante que ninguém se importou, muito pelo contrário, todos sabiam que a rainha iria aparecer a qualquer instante. A música rolou com a platéia arrepiada e apreensiva, mas mesmo assim cantando junto, então deu-se o tal momento tão esperado, Marina deu o ar da graça, e direto ao microfone, cantou com a banda, pois num piscar de olhos o som do disco sumiu e os músicos assumiram dali em diante, num sincronismo digno de aplausos. Agora era para valer, Marina Linda, estava entre nós, meros mortais! Apoteótica entrada! Marina tinha o público na mão!

Visivelmente emocionada, foi logo tratando de abrir a relação! “Minha nossa, quanto carinho, eu amo vocês! Eu amo vocês!” E a platéia retribuía de bate pronto com gritos de “gostosa”, “linda!”, “absoluta!” E foi assim, do início ao fim; a cada hit – e foram muitos – a cada canção inédita do seu novo trabalho, “Novas famílias”, a admiração se multiplicava. Teve de tudo, de “Virgem” a “Fullgás”, de “À francesa” ao “O Chamado”. Lindo demais!

 

 

Em determinado momento, Marina saiu do palco enquanto a banda continuava, mas voltou logo em seguida, com outra roupa, um camisão preto, e com o violão e um banquinho à sua espera, para nos apresentar o momento intimista do show, que nem pareceu tão intimista assim. Mesmo cantando algumas inéditas, o show permaneceu cheio de vibe, lá em cima.

Hora de chamar a primeira participação: Qinho! bastante elogiado pela dona da noite – o cantor havia feito recentemente um disco só com músicas dela- o rapaz era todo sorriso, também pudera! Cantaram juntos, mas sua participação foi assim um tanto quanto tímida apesar do grande esforço de se mostrar à vontade. Amigo, nenhum mortal fica à vontade diante de uma deusa! Show que segue.

Marina, entre uma canção e outra, parava para agradecer tamanha profusão de carinho, e comentar sobre a realidade do Brasil, entoou um “Lula Livre” aqui (puxado pela platéia), um “Marielle Vive” ali, enquanto ouvia um esfuziante “Volta Marina!” que derretida de mimos, prometia voltar a morar no Rio de Janeiro (hoje ela vive em Sampa), enquanto dizia que a cidade do Rio é a melhor e a mais importante do país. “Se o Rio está mal, então todo o Brasil também o está!” declamava!

 

 

A segunda convidada da noite, que tem participação especial no disco, Letrux (Letícia Novaes), foi convocada! Entrou linda, desbravada, como naturalmente é! Jogou-se aos pés de Marina (literalmente), cantou lindamente, trocaram afagos de duas amigas que pareciam cúmplices há muito tempo nessa vida, se emocionou, e declarou toda a sua admiração à musa! Depois voltaria para mais uma canção, cantada a duas vozes, ambas de máscaras!.
Outro momento diferente, foi qdo Marina cantou Erasmo Carlos (“Você precisa de um homem pra chamar de seu”) e disse que era seu momento sofrência – ela estava à vontade deveras – fez até o gesto típico da dança, chamando o público pra subir ao palco e dançar com ela. Atendida de bate pronto. Foram dezenas!

Bem, como nada dura para sempre, principalmente as coisas boas, caminhávamos para o fim do show, mas o público estava satisfeitíssimo! Marina se despediu, mas não saiu e explicou: “bem agora, deveria sair, mas não vou, vamos tocar o que seria o bis aqui e agora mesmo”, e sem deixar o palco então, tocou mais uma e “Zé Fini”! Marina é tão demais, que a única música tocada como bis deixou a sensação de que foi pouco! Mas como diz a canção de Caetano, “Muito” (também cantada por ela em uma determinada parte do show), “Muito é muito pouco”. Vida longa a ti, nossa deusa, musa, princesa, rainha, lindona, absoluta…e por aí vai! Que noite!

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NÃO RECOMENDADOS
(Show de abertura)

Lencinho como sempre exuberante na apresentação das noites do Circo, avisou! ” Esses não são recomendados”! bradando: “Não recomendado para caretas, não recomendado para homofóbicos, bolsomínions, etc…e blá, blá, blá, blá, blá… Não recomendados”!!!! (Nome da banda de abertura) anunciou.
O que viria então? O que seria? (Novidade na área!) Um sexteto, com três músicos (teclado, guitarra e bateria) e mais três vocalistas vestidos com collants de corpo inteiro – pareciam nus a primeira vista – com flores como tapa-sexo, a primeira chacoalhada no público! A noite prometia.

A primeira canção foi de línguas estranhas, cada um dizendo sei lá o quê, mas com uma harmonia de enebriar qualquer um, e todos já estavam chapados com os meninos. Logo em seguida um a um teria o seu solo, se revesando entre eles; destaque para “Rubens”, canção que Cássia Eller gravou em seu disco de estréia e também para “Cálice” de Chico Buarque. Uma banda psicodélica, performática, escrachada, debochada, desbocada, corajosa, uma trupe cheia de atitude! Aprovadíssimos. Bravo, bravíssimo!

 

Por NEM QUEIROZ
O fotógrafo observador

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One Comment

  1. Hermes Evaristo says:

    showzão mesmo.. nunca fui de ouvir marina, me impressionei com os hits, mas principalmente com a resposta do público..
    me amarrei também numa versão que a banda de abertura fez, de “depois do prazer”.. que o só pra contrariar tocava nos anos 90.. ficou do caraleo..

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