Machine Messiah: Sepultura renova o passaporte

Machine Messiah: Sepultura renova o passaporte

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quinta-feira, 19 janeiro 2017
Culturall

Por Ipitácio Oliveira – Com mais de três décadas de carreira musical, e com um legado invejável, a banda veterana de Heavy Metal brasileira Sepultura, apresenta em seu novo disco intitulado Machine Messiah (Nuclear Blast Records, 2017), uma sisuda crítica a sociedade contemporânea, que se encontra em um grande dilema, devido a sua atual dependência com a tecnologia. Segundo a banda, —Toda essa tecnologia deixa a sociedade sem a capacidade de pensar e inerte—, e tendo a máquina, como um “salvador”.

No álbum com aproximadamente 50 minutos de música, ouvimos o Sepultura limpo e livre de qualquer vestígio de apelação sonora, tornando o mais recente trabalho do grupo mineiro, uma grande novidade para quem aprecia o Heavy Metal. Além de ser uma obra com uma produção sólida e esperta, que apresenta o grupo em perfeita sintonia técnica e musical, sem deixar que o disco caia em uma apresentação difusa ou monótona.

Umas das grandes contribuições para esse feito, e que sustenta praticamente toda essa peça sonora, são os elementos que foram incorporados no decorrer das faixas, que vão desde instrumentos de orquestras sinfônicas, passando pela percussão de ritmos regionais brasileiros, até chegar aos sintetizadores. Esses complementos musicais fazem com que Machine Messiah soe como um trabalho muito próximo a algo quase inédito.

O disco irá agradar em cheio, tanto os fãs mais ortodoxos do metal, quanto aos mais novos, devido ao equilíbrio nas faixas que apresentam um tratamento mais clássico, em conjunto com as músicas que possuem uma sonoridade mais polida e acessível, método usado na criação do disco que difere das vertentes mais complexas e extensas que o metal tradicional possui. O resultado é a perfeita harmonia com outros elementos que já foram utilizados pelo gênero.

Sepultura_2017

Junto com esse novo disco, o Sepultura prepara o lançamento do filme/documentário sobre a história da banda. O filme contará a origem do grupo a partir de Belo Horizonte, chegando até o momento atual. O documentário tem direção do cineasta Otavio Juliano e conta com a produção da Interface Filmes em parceria com a 02. O longa tem a data prevista para sua estreia, agendada para Abril de 2017. Nesse filme, há entrevistas com Phil Anselmo (Pantera), Scott Ian do Antrhax, e membros de outras bandas como Slipknot, Motörhead, Megadeath e etc.

Desde quando surgiu em 1984, o grupo Sepultura sempre colecionou elogios e respeito, além de uma grande admiração dentro do universo do Heavy Metal. O quarteto foi umas das primeiras bandas brasileiras do gênero, a fazer um considerável sucesso fora do país, com um estilo de música extremamente radical.

Com o tempo, a banda passou por inúmeras mudanças em seus trabalhos, até chegar ao grande reconhecimento com o álbum Roots (1996). Disco marcado pela saída dos irmãos Cavalera (Max em 1996 e depois Igor, em 2006). E a partir desse período, o grupo se encontra em constantes reinvenções, e sem o fantasma da cobrança de se manterem fiéis ao som que fizeram no passado. O comportamento atual da banda, só afirma os músicos brasileiros como inquietos e virtuosos, e sem nenhum vestígio de cansaço ou estagnação.

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