Leo Fender: você sabe de que ele é culpado?

Leo Fender: você sabe de que ele é culpado?

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segunda-feira, 19 março 2018
Culturall

Por Jorge Felipe Coelho – Sim, você músico que hoje carrega pesados amplificadores de alta potência, guitarras e contrabaixos elétricos, a cada reunião para ensaio ou show, precisa saber que existe um culpado por isso. Mas, nesse caso, é uma das maiores culpas, “do bem”, para o desenvolvimento da música ao longo da história. Clarence Leonidas Fender, mais conhecido como Leo Fender, detém a pecha de “criador da guitarra elétrica”. Ele também foi um dos desenvolvedores do contrabaixo elétrico.

Leo Fender nasceu em Anaheim, na Califórnia, em 10 de agosto de 1909, e desde a sua adolescência era interessado por rádios e amplificadores sonoros. No início dos anos 40, juntamente com o músico Doc Kaufmann, patenteou o captador montado em um corpo sólido único. Com isso, ele visava aprimorar o som dos instrumentos amplificados produzindo instrumentos de corpo sólido.

Em uma época que o country e o blues dominavam o cenário musical norte-americano, Leo começou contatar pessoas a fim de medir a receptividade de um projeto para a criação de uma guitarra elétrica de corpo maciço. Assim, começou alugando seu protótipo construído para que músicos da região o utilizassem.

Em 1946, o californiano fundou um dos mais importantes fabricantes de guitarras, amplificadores e contrabaixos norte-americanos, a Fender Musical Instruments Corporation. Seus primeiros instrumentos no mercado eram violões acústicos com captadores. Em 1948, teve ajuda de George William Fulleron, seu sócio, e desenhou o modelo “Broadcaster” de guitarra elétrica. Posteriormente o nome foi trocado para “Telecaster“, em homenagem à outra invenção da época: a televisão.

Telecaster

A história de Leo fender não se resumiu apenas ao pioneirismo nas guitarras elétricas. Ele também foi importante colaborador para o surgimento do contrabaixo elétrico, introduzindo-o no mercado norte-americano em 1951, com o modelo “Precision“. Os amplificadores Fender, de sua concepção, foram os primeiros amplificadores de qualidade e alta potência a serem produzidos comercialmente.

Porém, o icônico lançamento do construtor ainda estava por vir. Em 1954, ele pôs no mercado a guitarra “Stratocaster“, com o design mais inovador até então. O modelo apresentava um “double-cutaway” (recorte duplo) onde o recorte superior era maior que o inferior, balanceando o peso do instrumento. Foi o primeiro modelo de guitarra a ser produzido em massa e o seu processo de montagem, na companhia, levava entre 5 e 7 horas até a conclusão. Ainda hoje, o design da “Stratocaster” tem sido copiado e modificado por outros fabricantes.

Stratocaster

O grandioso sucesso da guitarra “Stratocaster” se deve à sua utilização por parte de alguns dos maiores guitarristas da história. Ela foi eternizada, na cor vermelha, por Buddy Holly, e pelos Beatles, com George Harrison e John Lennon dando preferência à cor azul. Dos anos 60 em diante, Jimi Hendrix, David Gilmour, Eric Clapton, Yngwie Malmsteen, Eric Johnson, Stevie Ray Vaughan, Mark Knopfler, Dave Murray, John Frusciante, Buddy Guy, Rory Gallagher, Ritchie Blackmore, Jeff Beck, James Root, Tony Iommi, John Mayer, Richie Sambora e vários outros utilizaram exaustivamente o modelo.

Em 1967, Leo Fender, já muito doente devido ao trabalho excessivo no desenvolvimento de instrumentos, vendeu sua empresa por 13 milhões de dólares para a CBS. Fez, também, o acordo com a compradora de não participar da indústria de instrumentos musicais por 10 anos após a venda de sua companhia. Passados os 10 anos colocando a saúde em dia, o construtor voltou ao mundo dos instrumentos musicais como presidente fundador da Music Man, fabricante de guitarras e outros instrumentos semelhantes aos Fender, muitas vezes com melhoramentos.

Leo Fender estava em Fullerton, na Califórnia, quando faleceu em 21 de março de 1991, há quase 27 anos. Essa é a história de um sujeito visionário, que dedicou sua vida à busca pela melhoria e inovação em instrumentos e amplificadores e, por isso, tem uma culpa enorme no mundo da música: ter feito a diferença.

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