Ira! E De Falla fazem shows díspares para uma platéia uníssona

Ira! E De Falla fazem shows díspares para uma platéia uníssona

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domingo, 11 novembro 2018
Culturall

Por Nem Queiroz (texto e fotos) – Público devidamente aquecido, e lá vem o Ira! (confira mais abaixo como foi a abertura). Não sei se estou bem certo, mas tive a impressão que Nasi entrou um tanto o quanto desaquecido, porque a sensação que tive é de que ele estava um pouco fora do tom. Talvez quem não estivesse, fosse eu, mas vá lá! Não sei também se, além de mim, alguém mais tenha notado, porque a constatação era de que o público já estava na mão!

 

A primeira canção foi “Rubro Zorro” que cumpriu super bem o papel de abrir o show. Da metade da música em diante tudo ficou bem encaixadinho e uma noite de celebração se deu. A banda estava lá para tocar as músicas do disco “Psicoacústica”, que é um dos álbuns mais queridos pelos fãs. Foi uma primeira parte bem programada, mas pra lá de satisfatória para ambos os lados (banda/plateia), onde notava-se fãs cantando de olhos fechados o cancioneiro dos caras. Onde via-se também, claramente, a sintonia do grupo e um Edgar Scandurra mais à vontade que de costume, assumindo o posto de vocalista em alguns momentos quando chamado a baila. Com bons falsetes e dedicação vocal, dividia em menor parcela (é claro) a responsabilidade com Nasi, o vocalista principal, conhecido de todos, de cantar para um Circo Voador não lotado mas cheio, as belas canções do Ira!

 

 

Foram oito músicas até o fim da primeira etapa, e até aí já valia o ingresso. Luzes perfeitas, banda afinada, um respiro e… “Flores em você” trazia de volta a magia da noite. Foram mais oito canções pinçadas a dedo para o delírio do público, que a plenos pulmões, não deixava passar nenhuma. Músicas como “Entre seus rins”; ” Eu quero sempre mais”; “Dias de luta” e “Núcleo Base”, dá bem a ideia de como foi a apresentação.

 

 

Tudo isso com direito a participação especial de Edu K, buscado na coxia do palco pelo próprio Nasi, que assistia dali com sua banda todo o espetáculo dos amigos. Foi puxado, literalmente, pelo cantor a mandar o refrão final da última do segundo set,  “Núcleo Base”.

 

 

Faltava o bis. E com quatro números impecáveis (“Flerte Fatal”; ” O Girassol”; “Tarde Vazia” e a aguardada “Envelheço na Cidade”), o Ira! encerrava a noite aplaudido por um público visivelmente satisfeito, aos gritos de “fica, fica, fica!” , sem se dar conta ou simplesmente não querendo saber que o relógio já marcava 2:30 da madruga! Mas é assim, quando a noite é boa, costumamos dizer que ela é uma criança. E é mesmo! Valeu Ira!

De Falla

Uma noite do “Ira!” com abertura do De Falla, não é uma noite só do Ira!, né? E foi assim que começou. De Falla é sempre De Falla, e não adianta querer encobrir o que não se consegue. Os caras arrasam quarteirão! Basta dizer que no início do show o Circo Voador se mostrava relativamente vazio, mas Edu K é sempre Edu K! E com sua super presença, precisou apenas de alguns minutos para por ordem na casa. A galera logo chegou e compôs com a banda uma noite pra lá de agitada.

 

 

Mesmo com um público meio desconfiado e ainda com alguns fãs desaprovando a roupagem funk (carioca) demais para algumas canções que ficaram Rock “de menos”, principalmente se pegarmos como referência o ótimo último disco da banda “Monstro”, de 2016. Com um ritmo até bem funkeado, Edu K com todo seu carisma e talento, apoiado por sua super nova banda, que tinha nas guitarras Chuck Hipólitho (Vespas Mandarinas) e Isa (Volkana), botou todo mundo pra dançar, pular, se divertir! Com um som potente (para não dizer estridente) e uma, ora bem aventurada, ora equivocada mistura de funk & Rock’n roll, a banda que ainda tinha um DJ como um de seus integrantes, e um descolado baixista, ia dominando a cena e a noite, na volta de uma das mais cultuadas bandas do Brasil.

Já na segunda música (eles abriram com “Superstars”) atacaram de Tim Maia, numa bem intencionada mas não tão bem compreendida versão Rock’n Roll de “Sossego”. Destaque do show para “Nao me mande flores” aquela do refrão “Eu não amo você, eu não amo você!..” mais pela devoção dos fãs a ela, que propriamente à execução da noite. Muito embora, com algumas críticas, a platéia ia se entregando ao ritual imposto pela banda. Edu K manda! Mesmo com um ou outro mais jovem estranhando um show com um ritmo predominantemente funk, para uma noite aguardadamente Rock’n Roll, ninguém ficou parado, mesmo porque ninguém consegue ficar imune a Edu, não é mesmo? Um show de altos e baixos, que teve ainda “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones, fielmente executada, e também como gran finale a cultuada “Popozuda Rock’n Roll”,  na qual o vocalista pediu mais envolvimento de um público que até acendia, mas que não chegava a inflamar. De todo modo, sejam mais uma vez super bem-vindos de volta, DeFalla!

 

Nem Queiroz, o fotógrafo observador.

 

 

 

 

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