Graveyard faz show envolvente em noite agradável no Hocus Pocus Festival

Graveyard faz show envolvente em noite agradável no Hocus Pocus Festival

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segunda-feira, 20 maio 2019
Culturall

Por Renan Esteves –Nem o tão esperado episódio final da série Game of Thrones foi capaz de melar a noite da quarta edição do Hocus Pocus Festival. Como a apresentação do Graveyard tinha previsão de acabar perto do horário de GOT, às 22h, a produção disponibilizou dois telões para quem quisesse assistir ao desfecho da série logos após o último show do festival. O evento, que já trouxe ao Brasil bandas como Samsara Blues Experiment, Radio Moscow e Kadavar, desta vez não teve o apoio da Abraxas, que realizou as três primeiras edições em vários espaços da Sacadura Cabral. Sendo assim, a Hocus Pocus ficou encarregada de trazer, pela primeira vez ao Brasil, os suecos do Graveyard – grande nome da música obscura na atualidade. Na verdade, nem eu esperava que o Graveyard viesse ao Rio de Janeiro, já que o único show em São Paulo, confirmado há um bom tempo, seguia como única alternativa ao público, se quisesse vê-los.

A fórmula cerveja artesanal, food truck com hambúrgueres apetitosos e música de qualidade sempre funciona como combustível para se realizar um grande evento. O Graveyard entrou no palco do Hocus Pocus com alguns minutos de atraso, mas nada que fosse tirar o brilho do quarteto de Gotemburgo na apresentação dentro do BCo Space Makers. O show começou com “Hisingen Blues”, onde o vocalista Joakim Nilsson mostrou suas credenciais de como seria o show do Graveyard. Aliás, destaque também para o baterista Oskar Bergenheim que esmurrava sua bateria sem dó, e para a dupla Jonatan Larroca-Ramm, guitarra e voz, e Truls Mörck, baixo e voz, responsáveis pelo baixo e guitarra soarem como se duas metralhadoras disparando em pleno modo rajada.

Temos que ressaltar a qualidade do som, que estava no talo e deixou muita gente zureta, tamanha era a potência. Em “Cold War”, jogos de fumaça e a voz potente de Joakim Nilsson, que mesmo com seus excessos em bebidas e cigarros, continua em boa forma, sem falar na presença de palco imponente durante todo o show. A participação dos outros três integrantes garante a segurança de como um show de rock deve ser. A galera canta firme cada uma das canções, e percebe-se como é incrível o ritmo do baixo de Truls Mörck, totalmente hipnotizante ao ponto do público bater suas cabeças. Há também espaço para o swing bluseiro de “Uncomfortably Numb”, uma de suas canções mais famosas do belíssimo disco “Hisingen Blues”, de 2011. Como não pensar na vida e nas escolhas amorosas quando se escuta essa balada melancólica, hein?

Pela primeira vez no show, Jonatan Ramm assume os vocais em “Birds of Paradise”. Nesse momento, temos uma sequência de três músicas do seu mais novo disco “Peace”, quinto álbum de estúdio lançado pela Nuclear Blast, ano passado. Joakim diminui um pouco o ritmo e ataca de “Please Don’t”, outra faixa de grande potencial que funciona bem ao vivo, onde ela vai crescendo a medida que os solos de guitarra explodem numa selvageria sonora, com direito a mais jogos de fumaça. “É nossa segunda noite tocando no Brasil e estamos muito contentes de dividir essa noite com vocês”, conta Truls Mörck entusiasmado. O show ainda não acabou e a banda destila “Magnetic Shunk”, com seus riffs certeiros, no qual o quarteto segue totalmente azeitado, transformando o BCo num salão de faroeste.

Pausa rápida para o bis e a banda volta com “Low (I Wouldn’t Mind)”, “Ain’t Fit to Live Here” e “The Siren”. Em The “Siren”, vem aquele momento onde o Graveyard nos transporta para outras dimensões, mesmo com o público sabendo que o show está por terminar. Todos cantam e Joakim, com vigor, expõe todas as suas virtudes, seja duelando com os demais integrantes ou em solitários solos de guitarra dentro dos jogos de fumaça. Sua voz pode não estar mais no auge dos primeiros discos, mas vale destacar a dedicação do sueco em cada uma das 16 canções tocadas na noite. E olha que, por pouco não tivemos o fim da banda em 2016, quando rolaram divergências musicais entre seus integrantes, incluindo a saída do baterista Axel Sjöberg, que deu lugar a Oskar Bergenheim. O Graveyard nos entregou um show repleto mais de virtudes do que de vícios, e a Hocus Pocus mandou muito bem em trazê-los pela primeira vez ao Rio de Janeiro.

Setlist:

Hisingen Blues

Goliath

Walk On

Cold Love

Buying Truth (Tack & Förlåt)

Uncomfortably Numb

Bird of Paradise

The Fox

Please Don’t

Hard Times Lovin’

An Industry of Murder

It Ain’t Over Yet

Magnetic Shunk

Bis:

Low (I Wouldn’t Mind)

Ain’t Fit to Live Here

The Siren

Bandas de abertura da noite:

O primeiro nome a começar os trabalhos na quarta edição do Hocus Pocus Festival foi o Psilocibina. A banda só tem canções em instrumental e fez um show bem agradável de se ver, como nas faixas “Na Selva Densa” e “LSD”. Influenciados pelo rock psicodélico e jazz, o trio carioca tem referências que vão de Jimi Hendrix a Carlos Santana, mas com um tempero genuinamente brasileiro e toques de Tropicalismo.

A segunda banda da noite foi o Auramental, que antes se chamava Aura. Diferente do Psilocibina, a banda faz um som mais psicodélico e rock progressivo, também instrumental. Dentro do show, destaque para a faixa “Aura”, do seu primeiro disco chamado “Auramental”, que foi lançado no último dia 17.

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