Em noite repleta de convidados, Frejat revive seus sucessos em bom show no Rio Montreux Jazz Festival

Em noite repleta de convidados, Frejat revive seus sucessos em bom show no Rio Montreux Jazz Festival

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sábado, 08 junho 2019
Culturall

Por Renan Esteves – O segundo dia de apresentações do Rio Montreux Jazz Festival começou com muito chorinho. O Choro na Rua é um coletivo formado pela dupla Zé da Velha (trombone) e Silvério Pontes (trompete), com outros integrantes convidados que se apresentam em diversos lugares – seja do Rio ou do Brasil. O octeto tocou canções como “A Baixa do Sapateiro”, de Ary Barroso, e “Ainda me Recordo” , de Pixinguinha. A mistura de instrumentos como flauta, bandolim, saxofone, cavaquinho, pandeiro, violão e trompete mostraram um show agradável e que combinou muito com a vibe do Palco Ary Barroso, mesmo com o frio e pequeno público que ainda se formava para os shows seguintes.

Logo depois, foi a vez do grupo Pedro Martins Trio se apresentar nesse mesmo Ary Barroso. Natural de Brasília, Pedro Martins foi eleito o melhor guitarrista na competição Socar Guitar International, na edição 2015 do Montreux Jazz Festival, sendo o único a representar o Brasil nessa competição. Além de Pedro, completam o line up: Michael Pipoquinha (baixo) e Sérgio Machado (bateria). A segunda atração teve um público maior que a primeira, porém quem ficou para ver a performance do trio não se arrependeu. Rolou um cover de “Olhos nos Olhos”, de Chico Buarque num longo solo de Jazz, que mostrou as facetas de Pipoquinha e Pedro, com boas cadências no decorrer das canções. A participação do guitarrista Daniel Santiago nas faixas “Sobre gregoriano” e “Simbiose” foi outro ponto que arrancou aplausos do público. O show terminou com um cover de Hermeto Pascoal, com o baterista Sérgio Machado improvisando solos no decorrer da canção. No fim, Pedro Martins Trio deixou um gosto de quero mais e saiu ovacionado pela plateia com todo mundo querendo bis.

Apesar de alguns minutos de atraso, finalmente Frejat entrou no palco para se apresentar como atração principal da segunda noite do festival. Mesmo não fazendo mais parte do Barão Vermelho, Roberto Frejat e sua banda de apoio não deixaram ninguém parado durante as suas 2 horas de apresentação, que contou com clássicos da banda. O show começa a toda com “Puro Extase” mais um pout-pourri de “Pense e Dance” para a alegria dos presentes no Palco Villa-Lobos. Dessa vez, foi um show mais alegre, cantado e com menos público em relação ao Steve Vai (saiba como foi), na noite anterior. O guitarrista Billy Brandão mostra toda sua desenvoltura em “Pedra, Flor e Espinho. Mesmo sendo um espetáculo praticamente voltado às antigas canções do Barão Vermelho, nota-se um certo comodismo e previsibilidade. No entanto, o público quer mesmo é matar a saudade com os sucessos do passado. Frejat faz uma pausa, cumprimenta todos e diz que é uma honra estar nesse festival e que a noite vai ser longa – e realmente foi.

Antes de entrar o primeiro convidado, Frejat sai do trivial e nos apresenta uma nova canção que havia feito nesta semana e que se chama “Tudo se Transforma”, com o público demonstrando interesse na nova música. Como o próprio line up do evento deixou explicitado, Frejat convidaria Pitty e Zeca Baleiro para esse show. O primeiro convidado a entrar no palco foi Zeca, num encontro bem ao estilo Palco Sunset de Rock In Rio. A dupla tocou três canções, começando com a comovente “Down de Mim”, mas o bom momento veio com Zeca Baleiro assumindo as rédeas do show com “Telegrama”, onde o público descontraído cantou a plenos pulmões, num momento bem agradável da noite. Ainda teve um cover de “Pérola Negra”, de Luís Melodia contando com o bom entrosamento de toda a banda de apoio.

Sai Zeca Baleiro e começa uma série de canções acústicas com Frejat ao violão. Antes de começar, o cantor diz que esse show será dedicado ao cantor Serguei, falecido nessa última sexta, cantando “Codinome Beija-Flor” em sua homenagem.  Em mais um grande momento do show, o ex-Barão toca “Por Você”, com direito a capela da plateia e até do segurança de palco que não se segura e também canta trechos, afinal quem se controla diante de uma música dessas, não é? “Segredos”, da carreira solo, é outra balada que ao vivo funciona muito bem, onde o momento de romantismo do cantor sempre funciona nessas horas.

Frejat faz um certo suspense e anuncia Pitty como sua segunda convidada da noite. A apresentação vai melhorando ao longo da noite e a baiana é mais um coringa que rouba a cena durante sua participação em três canções. Começando por “Máscara”, o show fica mais pesado, onde Frejat faz questão de participar do momento. Em “Me Adora”, Pitty mostra como o tempo de estrada, que já é bem considerável, por sinal, fez muito bem a ela. Seu lado mulherão da porra é outra sacada que funcionou muito bem nessa noite. Aliás, Pitty é hoje uma das mulheres com excelente presença de palco, sem falar na atitude engajada adotada em seus shows. Sem dúvida, um show solo só da cantora em uma futura edição, até que não seria nada mal. Ainda há tempo para uma homenagem a Rita Lee com “Agora Só Falta Você”, que já foi até trilha sonora da Malhação numa versão feita pela mesma Pitty.

Como era de se imaginar, o show é longo e Frejat anuncia o baterista Cunha, que troca de lugar com Marcelinho da Costa para tocar “Bete Balanço”, naquele swing que todos sempre dançam no final. Em “Maior Abandonado”, é interessante ver como a sua performance vocal continua afiada, com o público, outra vez, cantando a canção da fase Cazuza. Antes de encerrar o show, Frejat justifica o porquê de não ter falado de sua banda de apoio, agradece a todo o esforço de seus comparsas e, antes de começar “Exagerado”, anuncia Marcelinho da Costa (bateria), Billy Brandão (guitarra), Bruno Migliari (baixo) e Humberto Barros (teclado). A cozinha do quinteto funciona muito bem em todas as faixas e o encerramento dessa segunda noite entregou um show à altura de um cantor com quase 40 anos de carreira. Frejat sai de cena e volta com toda sua banda mais os convidados da noite Pitty e Zeca Baleiro para encerrar seu concerto de duas horas de duração. Ainda há espaço para a manjada “Pro Dia Nascer”, de Cazuza, onde novamente o público canta junto.

No encerramento, entra no palco Marco Mazzola, produtor responsável pela edição do Rio Montreux Jazz Festival, com um coroa de flores destinadas a Pitty. Essa situação também aconteceu no encerramento do show de Maria Rita com o Quarteto Tom Jobim. Por essas e outras, mesmo com Frejat não vivendo o bom momento musical de épocas passadas, o carinho do público e as canções das fases Barão e Cazuza fizeram toda a diferença nessa segunda noite do Montreux Jazz Festival.

Setlist Frejat:

Puro Êxtase

Pense e Dance

Pedra, Flor e Espinho

Ideologia

Tudo se Transforma (música nova)

Homem não Chora

Me dê Motivo (Tim Maia)

Down de Mim

Telegrama (Zeca Baleiro)

Pérola Negra (Luís Melodia)

O Poeta Está Vivo

Codinome Beija-Flor

Por Você

Segredos

Amor, Meu Grande Amor

Malandragem

Amor pra Recomeçar

Máscara (Pitty)

Me Adora (Pitty)

Agora Só Falta Você (Rita Lee)

Bete Balanço

Porque a Gente é Assim?

Maior Abandonado

Exagerado

Pro Dia Nascer Feliz

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