Como você ouve música?

Como você ouve música?

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segunda-feira, 06 fevereiro 2017
Culturall

Por Luck Veloso – A música vem sofrendo transformações ao longo do tempo e isso é tão óbvio quanto o sol que brilha pela manhã. Acontece que nunca em um outro tempo a música perdeu tanto espaço físico, passando somente para o âmbito das sensações cerebrais.

O gramofone, de Emil Berliner, datado de 1888 abriu um enorme campo para as experiências sonoras, permitindo que as pessoas passassem a ouvir registros sonoros, utilizando um disco plano, ultrapassando o cilindro de Thomas Edison.

Com o advento dos toca-discos, um enorme passo foi dado para quem tinha o costume de armazenar suas gravações, sejam elas depoimentos ou ainda registros musicais. Os discos podem ser ouvidos até hoje, dependendo do equipamento, nas velocidades 16, 33 e 1/3, 45 ou 78 rpm.

O disco de vinyl, como mais tarde ficaria conhecido em todo o mundo, sofreu algumas ´baixas´ e uma quase ameaça de extinção com o surgimento de outras mídias como o vídeo laser, o CD e o DVD. Mas nada disso se concretizou e o disco segue vivo e forte, embora não seja obviamente tão popular quanto fora em outros tempos.

Com a chegada da internet ao Brasil, houve uma verdadeira revolução na forma de se consumir música.        Aliás, não somente por aqui, mas como em todo o planeta, em escalas diferentes, a forma de se chegar à música foi sendo alterada gradativamente.,

Nos anos 90 e 2000 ainda não havia o conceito de ´nuvens´, onde vários arquivos podem ser armazenados em servidores que não a casa do usuário e com o surgimento de programas de transferência de arquivos, podia-se ter acesso a várias músicas ao mesmo tempo, inclusive fazendo o download de dezenas (ou centenas) de discos direto para o hd do computador, no formato mp3.

Criado por Shawn Fenning e Sean Parker, o Napster surgiu em 1999 e provocou uma verdadeira reviravolta no mundo das grandes gravadoras. O programa consistia na simples ideia de fazer com que pessoas trocassem suas coleções musicais em formato de mp3 entre si. O que acontece é que a indústria não gostou nada disso, pois dessa forma não haveria ganho da parte deles. Um dos grupos que mais atuou contra o Napster foi o Metallica e após uma enorme batalha judicial, os servidores do serviço foram desligados em 2001.

A partir de então, muitos outros surgiram e iniciou uma grande discussão em torno dos direitos autorais e de uso de arquivos em formato mp3 e se os mesmos poderiam ou não serem trocados entre pessoas em todo o mundo.

O fato é que gravadoras demoraram uma eternidade até entenderem que esse caminho seria sem volta. Com um bom computador em casa e programas de produção musical, nascia uma estrela  com potencial em cada esquina, que poderia fazer sua própria musica, abrir um selo musical e comercializar seus produtos por conta própria, ou até mesmo, deixa-lo ser baixado gratuitamente como forma de divulgação, centrando os ganhos em shows e em outros materiais de merchandising.

Atualmente, temos grandes serviços de streaming que oferecem catálogos musicais completos, sejam de forma gratuita tendo como contrapartida a veiculação de anúncios entre as faixas ou ainda, os serviços Premium, onde os usuários pagam uma taxa mensal e têm diversos benefícios como acesso irrestrito, ausência de anúncios e outras facilidades possibilitadas pelos aplicativos musicais. .

A transformação refletiu de forma física em todo o planeta. Se há duas décadas precisávamos de uma (ou mais) bolsa cheia de discos e cds para animarmos uma festa, hoje em dia podemos fazer uma noite tornar-se inesquecível com apenas alguns comandos em um minúsculo, porém eficiente notebook conectado à rede mundial de computadores.

Ainda com toda essa mudança e visível facilidade, ainda há uma antiga e possivelmente incessante questão entre os DJs profissionais: Quem usa notebook para animar a noite é tão profissional quanto quem usa os equipamentos mais tradicionais, como as pick ups? O que você acha disso?

Quando você está em uma pista de dança, lhe ocorre esta questão? “Com que tipo de equipamento o DJ está veiculando o som?”. A música ultrapassa barreiras ou realmente é importante o formato em que é executada? É uma discussão longa que parece atravessar os tempos e cabe a nós, amantes da música a nos adaptarmos cada vez mais aos novos e transformadores formatos. Diga aí o que acha!

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