Entrevista: Alessandra Tolc a fotógrafa por trás das grandes imagens

Entrevista: Alessandra Tolc a fotógrafa por trás das grandes imagens

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sexta-feira, 17 fevereiro 2017
Culturall
Autorretrato_Alessandra-Tolc-1

Alessandra Tolc em autorretrato

Por Luck Veloso – Uma das maiores fotógrafas da cena musical do Brasil, Alessandra Tolc responde à Radiocultfm, falando sobre um mercado cada vez mais concorrido, a fotografia, além de contar sobre suas inspirações, aspirações e dicas para quem deseja se aventurar no mundo dos cliques. Deguste e ao final, confira a galeria que a própria Tolc separou para nós, aí vai:

RC – Quando nasceu a fotógrafa em você? Quando e onde começou?

AT – De alguma forma eu sempre fui fascinada por imagens e cores. Minha mãe diz que eu andava pelas ruas quase que “hipnotizada” por tudo, quando criança.

Era muito presente em mim a vontade de me expressar criativamente pois eu desenhava bastante desde cedo, isso aflorou ainda mais quando iniciei a Faculdade de Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual, em 2005, onde me formei como Designer Gráfico. Nos primeiros anos do curso aprendi a fotografar com câmeras analógicas e digitais durante os módulos de Fotografia, mas só me aprofundei de fato neste “mundo fotográfico” algum tempo depois quando comecei a trabalhar, ainda como Designer, em um estúdio fotográfico. A proximidade ao ofício e claro, aos equipamentos, me deu a oportunidade de experimentar e aprender um bocado, até o momento em que decidi adquirir a minha primeira câmera DSLR para poder buscar ainda mais aprendizado na prática. Foi a partir daí que a fotógrafa em mim, aos pouquinhos, nasceu.

RC – Houve referências? Quais?

AT – Os primeiros nomes que me vêm à cabeça são David LaChapelle, pela irreverência surrealista em cores absurdamente vibrantes, e Annie Leibovitz, com sua sutileza e delicadeza.

Duas fotógrafas menos conhecidas mas igualmente importantes para mim são Viona Ielegems, com suas temáticas mágicas e fantasiosas, e Zhang Jingna por seus retratos incrivelmente encantadores.

Embora eu não tenha necessariamente me espelhado nestes maravilhosos artistas para criar algo meu, sem dúvida serviram – e servem até hoje – de grande inspiração!

RC – Qual é o momento certo para apertar o disparador?

AT – O momento certo?! Bem, não que exista um “momento errado”… haha. Mas para mim o momento certo é aquele que te desperta algum sentimento, seja ele qual for.

RC – Qual é a foto da sua vida?

AT – A vida é uma constante transição em inúmeros sentidos, isso naturalmente se reflete no meu trabalho também… então eu não poderia citar uma foto como a mais importante ou relevante na minha vida, profissionalmente. Mas posso sim citar uma muito significativa, que é esta aqui:

Por Alessandra Tolc - 2010 www.Photolc.com.br

Por Alessandra Tolc – 2010
www.Photolc.com.br

Não é, de longe, a minha melhor foto. Mas é a foto que, para mim, define um ponto de partida. Este retrato de Anneke van Giersbergen – minha cantora preferida – foi feito durante a minha primeiríssima cobertura profissional de um show.

RC – Bela foto realmente! Existe uma imagem perdida, algum lamento?

AT – Quando estou fotografando, as coisas acontecem de forma muito orgânica, espontânea. Vou observando e registrando aos poucos, então cada momento perdido é, na verdade, um outro que foi captado por escolha própria e assim por diante. Apesar de ser extremamente perfeccionista, o que me faz constantemente achar que “poderia ter feito melhor” em um primeiro momento, no final fico satisfeita exatamente por saber que eu faço o possível para conduzir tudo com naturalidade, sem tantas amarras ou protocolos.

RC – Atualmente a proximidade a equipamentos digitais é bem maior. Que dica você pode dar a quem pensa em se aventurar no ramo?

AT – De fato hoje em dia a fotografia é muito mais acessível, tanto na aquisição e no manuseio dos equipamentos quanto na busca por informações. Por isso mesmo vejo uma grande, crescente banalização neste mercado.

A maior dica que posso dar aos iniciantes é também a principal para ser um(a) bom(a) fotógrafo(a): muita prática! Nada se aperfeiçoa do dia para a noite e o que eu mais vejo neste mundo da Internet, onde tudo tem que ser “para já”, é uma pressa descomunal para conseguir o que se quer sem valorizar o tempo de aprendizado tão indispensável na prática de qualquer profissão. Experiência rimando com paciência talvez não seja uma mera coincidência… hahaha.

RC – Você fotografa muitos shows. É seu ramo preferido? Que outro segmento lhe atrai a captar imagens além do showbiz?

AT – Certamente fotografar shows e espetáculos é o que mais amo fazer! Como também gosto muito de retratar pessoas e realizar ensaios, tenho bastante interesse em trabalhar com Moda e Cultura Alternativa. Cinema é outro segmento em que eu adoraria ter a oportunidade de me aventurar.

RC – Grandes festivais ou shows intimistas? O que mais te agrada registrar e qual dos estilos é mais confortável de fazer?

AT – Ambos têm seus atrativos em particular mas prefiro os mais intimistas! Confortável é um termo bem relativo quando associado à fotografia de shows, pois muitas vezes estamos falando a respeito de um show completamente lotado sem um espaço reservado à nós – o famoso pit – para realizarmos o nosso trabalho com mais tranquilidade, mas de qualquer forma curto fazer as minhas fotos no meio da galera, sentindo a energia dos fãs e por inúmeras vezes fico bem próxima ao(à) artista, sendo o diferencial que dá um toque todo especial.

RC – Quais fotógrafos brasileiros você mais admira e da cena próxima a você, quais você sempre confere as imagens?

ATSebastião Salgado é um nome que por si só, já dispensa qualquer apresentação. Uma pessoa brilhante que produz imagens emocionantes! Outros dois fotógrafos Brasileiros que muito admiro são a Nana Moraes e o Jorge Bispo.

A cena em que permeio mais frequentemente – do Metal e Rock Alternativo – é predominantemente masculina, então procuro sempre acompanhar os trabalhos de outras super mulheres do meio como Camila Cara, Iana Domingos, Bárbara Martins e Edi Fortini.

RC – Pra finalizar, deixe uma mensagem para quem segue seus belos cliques pelas redes sociais e obrigado por responder à Radiocultfm!

AT – Agradeço demais à vocês que acompanham e curtem o meu trabalho, que este ano traga shows ainda melhores e muita inspiração para todos nós!

À Radiocultfm deixo um enorme abraço e o meu muitíssimo obrigada, não só por este incrível espaço de troca mas também pelo apoio de sempre!

Clique aqui e confira a Expo de Alessandra Tolc, com fotos selecionadas especialmente para a Radiocultfm!

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