Dagô: Inovação em forma de espiritualidade e rock

Dagô: Inovação em forma de espiritualidade e rock

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quarta-feira, 29 novembro 2017
Culturall

Por Luck Veloso (fotos: Vinicius Giffoni)- O caldeirão musical que o Brasil representa para o mundo, torna-se ainda mais complexo quando começamos a imaginar o desmembramento da música agregando a ela o poder do lado espiritual, propondo como diferencial a mescla rítmica entre as raízes do afro brasileiro com a levada rock e todo o peso que o cerca.  Estou falando de um dos projetos mais interessantes que surgiram nos últimos tempos, o DagÔ.

 

 

A releitura de poderosas canções que remetem muitas vezes a verdadeiros rituais é uma tarefa bem complexa, que requer além do óbvio conhecimento musical, um mergulho no tema, com total desprendimento sobre o que as canções originai trariam como resultado. É como reunir vários parafusos de um carro e transformar em um avião. Muitos dos elementos do veículo anterior estarão lá, porém acrescidos por novos elementos, com novas propostas de vôo.

Para ouvir o som do DagÔ, que em Yorubá significa ´Dá licença´, você precisa antes de tudo, estar de peito aberto às energias que o cercam, sem preconceitos e com vontade de absorver. Usando elementos da umbanda, afoxé e propondo a reutilização do elemento fé junto à música, há muita percussão unindo ainda pitadas de candomblé, propondo uma ginga única, com assinatura rock. Super diferente!

O grupo em si já é uma grande mistura, inclusive de gerações. A experiência de Alexandre Guichard nos violões, do alto de seus mais de 30 cds gravados, entre participações diversas e ainda de sua atividade ao lecionar em escolas de música uniu-se a Ivo Ricardo, no baixo. Ivo é um nome icônico na música brasileira através do grupo Água Brava, que fez história nos anos 1980, já tendo participado inclusive do Rock in Rio e do Funk´n Lata, tendo ainda extensa experiência internacional. A bateria ficou por conta de Helio Ratis, igualmente remanescente de bandas de rock, como A Bruxa e Um Baile a Rigor e nitidamente hiperativo para o lado positivo da palavra. Suas viradas rítmicas dão uma assinatura única ao som do projeto. Já as guitarras do DagÔ ficam por conta de Matheus Telles, que chegou depois e capturou como ninguém a essência da proposta do grupo, inserindo sua experiência a serviço do novo som. Fechando a parte instrumental, vem a percussão de Bruno Wallardan, sob a mentoria do fera Firmino Alves, experiente percussionista que iniciou em 1973 na Paraíba e ao vir para o Rio, emprestou seu talento a nomes como MPB4, Elba Ramalho, Adriana Calcanhotto, Alceu Valença e mais um monte de gente boa. Dando voz a tudo isso, com muita propriedade e responsabilidade, está Felipe Naza, compositor e intérprete que tem seu trabalho reconhecido junto ao Rap e a música brasileira e que deu sonoridade e conhecimento de causa ao tema proposto, tendo suas principais referências vindas diretamente das fontes como terreiros, capoeira e cantos de candomblé.

 

O som da banda ganhou um ajuste de muito respeito, feito por Vinicius Sá, produtor do DagÔ. Vinicius tem propriedade e conhecimento de sobra, o que fez com que o som dos caras entrasse no eixo perfeito. O cara já levou o Grammy como engenheiro de audio no DVD dos Paralamas do Sucesso, o que é muito mais que uma super credencial.

 

 

O som é de arrepiar e por seu pioneirismo, pois soa como algo jamais proposto, nos dá a comprovação de que inovar ainda é sim totalmente possível, mesmo que atualmente quase todos tenham acesso a muitas máquinas para produzir música, que o sampler esteja em cada bolso e o gravador sendo mais utilizado do que em qualquer outra época mas nem sempre com bons resultados. A tecnologia avançar é natural, difícil mesmo é utilizar a facilidade para construir algo complexo e bonito de ouvir e isso o DagÔ conseguiu com mérito. Ouça e confirme!

Acesse abaixo o site oficial do DagÔ:

http://dagomusica.com.br/

 

One Comment

  1. Mara Bastos says:

    Banda prá lá de exótica. Fui assistir ao Show deles e adorei. Cantante e dançante mas com peso de rock´n roll. Excelentes músicos!

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